A agenda econômica da semana é dominada por dois vetores de inflação: o CPI de junho nos Estados Unidos, que será divulgado na segunda quinzena de agosto, e o IPCA-15 de julho no Brasil. Os indicadores servirão de calibragem para as expectativas sobre o ritmo de corte de juros do Federal Reserve e a manutenção da Selic em 14,00% ao ano pelo Copom.
O que esperar da semana
A abertura da semana reserva atenção redobrada aos indicadores de preços nos dois maiores blocos econômicos do Ocidente. No Brasil, a prévia da inflação oficial de julho (IPCA-15) sai entre os dias 11 e 14 de agosto, enquanto o CPI americano referente a junho será publicado em 17 de agosto — data que já está no radar dos investidores. O IPCA de junho, já conhecido, veio com variação de 0,16%, a menor da série disponível, e acumula 1,94% em 12 meses.
Cenário doméstico: Selic em 14,00% e projeções do Focus
A Selic está fixada em 14,00% ao ano, e o CDI do mês de junho ficou em 0,21%. O mercado monitora se a descompressão da inflação corrente dá espaço para o Copom iniciar um ciclo de flexibilização já na reunião de setembro. Por enquanto, o Boletim Focus de 31 de julho projeta mediana de 5,03% para o IPCA em 2026 e 13,75% para a Selic no fim do ano — sinal de que o mercado espera ao menos um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro.
O IGP-M acumulado em 12 meses está negativo em 1,16%, reforçando o quadro de desinflação ampla. O câmbio mediano projetado pelo Focus para 2026 é de R$ 5,20/US$, o que sugere ausência de pressão cambial relevante no curto prazo.
CPI americano: o termômetro do Fed
O CPI de junho dos EUA, a ser divulgado em 17 de agosto, é o evento de maior peso na agenda externa. O dado pode reforçar ou frustrar as apostas de que o Fed iniciará cortes na taxa dos Fed Funds ainda em 2026. A leitura anterior do CPI americano mostrou arrefecimento, e o mercado aguarda confirmação da tendência para precificar o ritmo de afrouxamento monetário.
A dinâmica entre os juros americano e brasileiro segue sendo o principal driver para o fluxo de capitais e a cotação do real. Dados de inflação mais baixos nos EUA tendem a enfraquecer o dólar globalmente, o que alivia a pressão sobre o câmbio doméstico e abre margem para quedas adicionais da Selic.
Painel de indicadores – Resumo executivo
A tabela abaixo resume os principais indicadores que balizam as expectativas de mercado nesta semana.
- IPCA de junho: 0,16% (variação mensal) e 1,94% (acumulado 12 meses)
- Selic meta atual: 14,00% a.a.
- Boletim Focus (31/07/2026): IPCA 2026 mediana 5,03% a.a.; Selic 2026 mediana 13,75% a.a.; Câmbio 2026 mediano R$ 5,20/US$
- CDI mensal: 0,21%
- IGPM acumulado 12 meses: -1,16%
- CPI EUA (junho): divulgação em 17 de agosto
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