Dólar fecha a R$ 5,19 com Treasury acima de 5% e Brent a US$ 106,60; Ibovespa recua 0,99%

Dólar fecha a R$ 5,19 com Treasury acima de 5% e Brent a US$ 106,60; Ibovespa recua 0,99%

O dólar à vista encerrou a quinta-feira (24) vendido a R$ 5,1931, alta de 0,47%, aproximando-se de R$ 5,20, enquanto o Ibovespa recuou 0,99%, a 183.965,91 pontos. Em dia de aversão a risco nos mercados internacionais, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu a 5,2209% e o petróleo Brent avançou 3,41%, a US$ 106,60. No mercado doméstico, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos.

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🏷️ MercadosPor Redação Radar Finanças
Publicado em: 24/09/2026 às 21:05 BRT
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📌Fatos em Destaque

  • O dólar à vista fechou a R$ 5,1931, alta de 0,47%, com máxima de R$ 5,202 no dia, enquanto o Ibovespa recuou 0,99%, a 183.965,91 pontos.
  • O Treasury de 10 anos subiu a 5,2209%, acima de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007, e o Brent avançou 3,41%, a US$ 106,60, com o WTI a US$ 94,61 (+2,65%).
  • O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha, com fluxo cambial negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18; no mês, o dólar sobe 0,26%, mas recua 5,39% no ano.

Treasury a 5,22% e Brent a US$ 106,60: o risco externo volta ao centro do pregão

O dólar à vista encerrou o pregão a R$ 5,1931, alta de 0,47%, depois de tocar R$ 5,202 na máxima do dia. Não foi um movimento isolado do câmbio brasileiro: o rendimento do Treasury de 10 anos subiu a 5,2209%, ante 5,114% na sessão anterior, e o petróleo Brent avançou 3,41%, a US$ 106,60. O Ibovespa caiu 0,99%, a 183.965,91 pontos, em um dia em que o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos. A pergunta que a Faria Lima faz ao fim do dia é simples: o Brasil está importando volatilidade ou exportando risco próprio?

O movimento doméstico foi secundário: o gatilho veio de fora. O rendimento do Treasury de 10 anos, referência global de ativo livre de risco, superou a marca de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas, avançou 0,14%, a 101,270 pontos. Juros americanos mais altos elevam o custo de oportunidade dos ativos de risco e tendem a atrair capital para os Estados Unidos, o que ajuda a explicar parte da pressão sobre moedas emergentes.

No petróleo, o Brent subiu 3,41%, a US$ 106,60, e o WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61. A alta tem componente geopolítico relevante, ligado às incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã, cujo desfecho segue indefinido. Commodity mais caro e juro longo americano mais alto formam a pior combinação possível para um país que precisa financiar déficit e importar energia.

Banco Central vende US$ 1 bilhão em leilões de linha com fluxo cambial negativo de US$ 7,08 bilhões

O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos, instrumento em que a autoridade empresta dólares ao mercado com compromisso de recompra em alguns meses. A operação aumenta a oferta de moeda estrangeira e a liquidez, e sinaliza que a pressão cambial foi considerada relevante o suficiente para justificar atuação direta.

O fluxo cambial acumula saldo negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18, segundo informou o próprio BC na véspera. Ainda assim, o dólar sobe apenas 0,26% no mês e recua 5,39% no acumulado do ano, o que mostra que a alta recente corrige parte de uma queda mais ampla, e não uma inversão estrutural de tendência.

Para quem investe, o ponto prático é a assimetria. Leilões de linha seguram o câmbio no curto prazo, mas não alteram o diferencial de juros nem o saldo comercial. Como são operações com compromisso de recompra, elas devolvem os dólares ao BC mais adiante e não consomem reservas de forma permanente: apenas injetam liquidez enquanto a volatilidade persistir. Sem melhora no fluxo, a autoridade monetária tende a repetir a dose, sem resolver a origem do desequilíbrio.

PIB de 2026 revisado de 2% para 1,8% e contenção de despesas reduzida a R$ 16,1 bilhões

O Banco Central revisou a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2% para 1,8%. No mesmo dia, o governo reduziu a contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, com déficit efetivo previsto de R$ 80,9 bilhões para 2026.

A combinação é desconfortável do ponto de vista aritmético. Menos crescimento implica base de arrecadação menor; menos contenção implica mais gasto. Em ano eleitoral, o incentivo político aponta para a segunda opção, e a conta aparece na curva de juros futuros e no prêmio de risco exigido do Brasil.

O trilema é conhecido: câmbio, inflação e crescimento não se acomodam ao mesmo tempo. Petróleo mais caro pressiona combustíveis e, por consequência, o IPCA. Câmbio mais alto reforça esse canal de transmissão. E a resposta monetária, se necessária, cobra o preço em atividade. Não há milagre disponível nessa equação, apenas escolha de quem paga a conta.

Treasuries, petróleo e combustíveis: os vetores que o mercado monitora nas próximas semanas

O primeiro vetor é geopolítico. O desfecho das negociações entre Estados Unidos e Irã segue indefinido, e qualquer escalada tende a manter o prêmio de risco embutido no petróleo.

O segundo é o Treasury. A manutenção do rendimento de 10 anos acima de 5% sustenta o dólar global e limita o espaço para alívio cambial em economias emergentes. Enquanto o juro longo americano não ceder, o Brasil tende a operar com prêmio de risco mais alto do que o fundamento doméstico isoladamente justificaria.

O terceiro é doméstico: a trajetória do fluxo cambial, a execução fiscal ao longo do quarto trimestre e a leitura do Banco Central sobre a inflação de combustíveis. Exportadores e o setor petrolífero tendem a capturar o benefício da alta do dólar e do Brent. O consumidor final sente no preço da bomba, e o governo, no déficit. Em Brasília, a conta quase sempre sobra para quem não estava na mesa de negociação.

🏛️ Fonte Primária & Transparência EditorialAgência Brasil (EBC)
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