Bitget suspeita de hackers ligados à Coreia do Norte em ataque de US$ 351,6 milhões; FBI não confirm

Bitget suspeita de hackers ligados à Coreia do Norte em ataque de US$ 351,6 milhões; FBI não confirmou autoria

A CEO da Bitget, Gracy Chen, afirmou que hackers norte-coreanos podem estar por trás da violação de segurança de US$ 351,6 milhões sofrida pela exchange na quinta-feira, citando conclusões preliminares que vinculam endereços IP a serviços de VPN usados por um grupo ligado à RPDC. A exchange descarta participação interna, mas não há, até o momento, confirmação oficial de órgãos como o FBI sobre a autoria.

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🏷️ CriptoativosPor Redação Radar Finanças
Publicado em: 24/09/2026 às 23:06 BRT
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📌Fatos em Destaque

  • A Bitget confirmou uma violação de segurança de US$ 351,6 milhões, com transferência direta de fundos, sem falsificação de solicitações de saque.
  • A CEO Gracy Chen afirmou que a investigação preliminar identificou endereços IP compatíveis com VPNs de grupos hackers da RPDC e descartou participação interna.
  • O caso se soma ao ataque de cerca de US$ 1,5 bilhão à Bybit, atribuído pelo FBI à Coreia do Norte, e a US$ 2,02 bilhões em roubos cripto associados ao país em 2025.

Conteúdo Principal

Há uma regra não escrita no mercado cripto: quando uma exchange perde centenas de milhões de dólares em poucas horas, a primeira pergunta da mesa não é quem roubou, mas se alguém de dentro ajudou. A Bitget tentou responder essa pergunta antes que ela fosse formulada em voz alta. Na quinta-feira, a corretora confirmou uma violação de segurança de US$ 351,6 milhões e, na sequência, sua CEO, Gracy Chen, apontou endereços IP compatíveis com VPNs usadas por grupos hackers ligados à Coreia do Norte. A atribuição, feita em caráter preliminar, chega antes de qualquer confirmação de órgãos oficiais e cumpre uma função dupla: desvia o holofote do insider job e alinha a exchange à narrativa de segurança nacional que Washington já aplicou ao caso Bybit.

O que a Bitget confirmou sobre a violação de US$ 351,6 milhões

O relato da exchange é direto e, por isso mesmo, desconfortável. Segundo as declarações públicas da CEO Gracy Chen, os invasores acessaram os sistemas da Bitget e moveram os fundos diretamente, sem o expediente habitual de forjar solicitações de saque ou manipular credenciais de usuários. É uma diferença técnica relevante: o vetor não passou pela camada de autenticação do cliente, mas pela infraestrutura da própria corretora.

O valor citado aparece em duas versões, US$ 351,6 milhões e US$ 352 milhões, diferença que decorre apenas de arredondamento e não altera a ordem de grandeza. Chen afirmou ainda que a exchange não acredita que a violação tenha sido um trabalho interno, sustentando a tese com o que descreveu como investigação preliminar sobre endereços IP compatíveis com VPNs utilizadas por grupos hackers da República Popular Democrática da Coreia.

Vale registrar o que não foi dito. Não há, até o momento, confirmação do FBI ou de qualquer autoridade americana sobre a autoria do ataque à Bitget. A atribuição é da própria empresa, o que a coloca na posição simultânea de vítima e de investigadora do próprio crime, arranjo que a Faria Lima conhece bem de outros episódios societários.

Por que atribuir o ataque à RPDC tão rápido interessa à Bitget

Toda crise de confiança em exchange tem dois relógios correndo em paralelo. O primeiro mede a velocidade com que os depositantes sacam seus saldos. O segundo mede a velocidade com que a narrativa é capturada por alguém. A Bitget escolheu disputar o segundo relógio com agressividade incomum, e a escolha do inimigo não é acidental.

Ao apontar para a Coreia do Norte, a corretora desloca a discussão de falha de controles internos para um terreno geopolítico onde ela é, no limite, mais uma vítima de um adversário estatal. É a mesma gramática que o FBI adotou ao responsabilizar Pyongyang pelo ataque à Bybit, de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. A diferença é que, no caso da Bitget, a acusação parte de quem deveria estar explicando por que seus sistemas não resistiram.

A pergunta incômoda fica no ar: se o modus operandi dos grupos ligados à RPDC é conhecido desde pelo menos o episódio da Bybit, e se o setor inteiro passou meses discutindo hardening de chaves privadas e segregação de carteiras, por que a Bitget não estava preparada para um vetor de ataque já mapeado? Atribuir o crime a um Estado hostil resolve a reputação no curto prazo, mas não responde à questão de engenharia.

Bybit, US$ 1,5 bilhão e o padrão que o setor insiste em não aprender

O caso Bitget não é um ponto fora da curva, é a repetição de uma curva. Hackers norte-coreanos foram associados a US$ 2,02 bilhões em roubos de criptomoedas ao longo de 2025, segundo levantamentos do setor de segurança blockchain. Somados o ataque à Bybit, de cerca de US$ 1,5 bilhão, e agora os US$ 351,6 milhões da Bitget, dois episódios concentram a maior parte desse total.

Essa concentração diz algo sobre a assimetria do jogo. De um lado, grupos patrocinados por Estados operam com financiamento estatal, tolerância a prazos longos e nenhuma exposição reputacional. Do outro, exchanges listadas ou em vias de abrir capital precisam equilibrar segurança, experiência do usuário e custo operacional, e historicamente tratam a terceira variável como a mais negociável das três.

O resultado é um setor que aprende lições em ciclos de doze meses, sempre depois do prejuízo. Cada ataque bilionário gera uma rodada de auditorias, comunicados e promessas de reforço em custódia, até que a memória institucional se dilua e o próximo vetor encontre uma porta mal fechada. Não é cinismo, é padrão observável.

O que ainda falta confirmar e o que observar daqui para frente

A atribuição à Coreia do Norte permanece provisória. Sem confirmação de autoridades como o FBI, o que existe é a leitura da própria Bitget sobre endereços IP, evidência útil, mas notoriamente frágil quando o adversário opera por VPNs e infraestrutura alugada em múltiplas jurisdições. Investigações desse tipo costumam levar semanas ou meses para produzir conclusões oficiais.

Os próximos pontos de observação são concretos. Primeiro, o rastro on-chain dos fundos: para onde os ativos foram movidos, se passaram por mixers e se houve fracionamento em stablecoins. Segundo, a resposta regulatória, sobretudo nos Estados Unidos, onde o histórico de sanções contra carteiras ligadas a Pyongyang já está estabelecido. Terceiro, o comportamento dos depositantes da Bitget nas próximas semanas, que é o termômetro mais honesto de qualquer exchange sob pressão.

Por fim, há a variável que ninguém coloca no comunicado: se a investigação preliminar não se sustentar e a autoria apontar para outro lugar, a exchange terá gastado capital reputacional em uma tese que não se provou. Atribuir culpa rápido é uma estratégia de gestão de crise. Sustentá-la com evidência é outra coisa, bem mais difícil.

Aviso Legal & Transparência: Este conteúdo possui caráter meramente informativo e jornalístico, não constituindo análise, recomendação de investimento ou indicação de compra e venda de ativos. As decisões financeiras devem ser tomadas com base em seu próprio perfil de risco e com suporte de especialistas certificados.
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