O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (14/08/2026) mostra que o mercado financeiro elevou a projeção mediana do IPCA para 2026 a 5,02%, acima do teto da meta de inflação de 4,5%. A mediana da Selic para o ano ficou em 13,75%, ante os atuais 14,00% ao ano, sinalizando expectativa de afrouxamento monetário moderado nos próximos meses.
Inflação acima do teto da meta
A mediana do IPCA para 2026 subiu a 5,0227%, segundo 149 respondentes consultados no Focus de 14 de agosto. O número supera tanto o centro da meta de 3,0% quanto o teto de 4,5%, indicando pressão inflacionária persistente na economia brasileira.
O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94%, bem abaixo da meta, mas o mercado projeta aceleração ao longo do ano. O IGP-M mediano ficou em 4,71% ao ano, com base em 64 respondentes.
Selic: mercado espera corte de 0,25 p.p.
A mediana da taxa Selic para o fim de 2026 foi projetada em 13,75% ao ano (148 respondentes), ante os atuais 14,00% ao ano. O número sugere que o mercado espera um único corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom nos próximos meses, mantendo a taxa em patamar restritivo.
A Selic meta atual de 14,00% foi definida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em meio ao esforço do Banco Central para conter as expectativas inflacionárias.
PIB, câmbio e demais indicadores
O mercado projeta crescimento do PIB de 1,98% em 2026 (mediana de 116 respondentes), refletindo desaceleração econômica em relação a anos anteriores. A mediana para o câmbio ficou em R$ 5,20/US$ (119 respondentes), patamar elevado que contribui para a inflação importada.
Confira as demais projeções do Focus de 14/08/2026:
Dívida bruta do governo geral: 83,27% do PIB (64 respondentes); Resultado primário: -0,5% do PIB (63 respondentes); Taxa de desocupação: 5,4% (76 respondentes); Balança comercial: saldo de US$ 77,9 bilhões (43 respondentes); Conta corrente: déficit de US$ 60 bilhões (42 respondentes); Investimento direto no país (IDP): US$ 79,46 bilhões (42 respondentes).
Contexto macroeconômico
O Boletim Focus de 14 de agosto de 2026 revela um mercado cauteloso. A inflação projetada acima do teto da meta, combinada com câmbio elevado e crescimento moderado do PIB, sugere um cenário de estagflação branda, com atividade econômica desacelerando e preços ainda pressionados.
A expectativa de Selic em 13,75% indica que o mercado não antecipa cortes agressivos da taxa básica de juros no curto prazo, mesmo com a inflação corrente em 1,94% nos últimos 12 meses. O Copom deve manter o tom hawkish até que haja sinais mais consistentes de convergência das expectativas para a meta.
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