O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14,0% ao ano, iniciando um novo ciclo de afrouxamento monetário. A decisão, no entanto, ocorre em meio a um cenário de expectativas de inflação futura acima da meta, conforme aponta a edição mais recente do Boletim Focus. O mercado reage com cautela diante da combinação de juros em queda, projeção de IPCA mediano de 5,02% para 2026 e uma dívida bruta do governo em 83,3% do PIB.
O cenário macroeconômico após o corte da Selic
O Copom fixou a taxa Selic meta em 14,0% ao ano, patamar que representa o início de um ciclo de flexibilização monetária. O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94%, abaixo do centro da meta de 3,0%, e a variação mensal do índice foi de apenas 0,07%. O CDI mensal, referência para operações interbancárias, está em 0,47%.
Apesar da inflação corrente controlada, o Boletim Focus projeta um IPCA mediano de 5,02% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%. A mediana para a Selic ao final de 2026 é de 13,75% ao ano, sugerindo que o mercado espera novos cortes, mas em ritmo moderado e condicionado à trajetória fiscal.
Expectativas do mercado e projeções do Focus
O Boletim Focus desta semana traz as seguintes medianas para os principais indicadores em 2026:
Selic: 13,75% a.a.
IPCA: 5,02% a.a.
Câmbio: R$ 5,20/US$
PIB: crescimento de 1,98%
- A projeção de IPCA de 5,02% supera o centro da meta de 3,0% e também o teto de 4,5%, indicando desancoragem das expectativas de inflação.
- A Selic mediana de 13,75% sugere que o mercado precifica ao menos mais 0,25 ponto percentual de cortes ao longo de 2026.
- A taxa de câmbio projetada em R$ 5,20 reflete a percepção de risco fiscal e externo.
Pressão fiscal e o dilema da política monetária
A dívida bruta do governo geral está em 83,3% do PIB, e o resultado primário acumulado é negativo em 0,5% do PIB. Esse quadro fiscal adiciona pressão sobre a trajetória da inflação, uma vez que a política monetária opera com transmissão imperfeita quando o risco soberano está elevado.
O IGP-M acumulado em 12 meses registra deflação de 1,16%, o que alivia parcialmente os custos de insumos e aluguéis, mas não altera o núcleo da preocupação do mercado com a inflação de serviços e a demanda aquecida.
O que esperar dos próximos passos do Copom
A ata da reunião do Copom e as comunicações futuras dos diretores do Banco Central serão monitoradas de perto pelo mercado. O principal ponto de atenção é se o comitê sinalizará um ritmo predeterminado de cortes ou se adotará uma postura dependente de dados (data-dependent).
A mediana do Focus para a Selic em 2026 (13,75%) indica que o mercado não espera uma aceleração agressiva do afrouxamento. A combinação de inflação futura acima da meta, câmbio pressionado e resultado primário negativo tende a limitar o espaço para cortes mais profundos.
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