Semana após o 1º turno termina com Ibovespa em patamar recorde e dólar a R$ 4,985

Semana após o 1º turno termina com Ibovespa em patamar recorde e dólar a R$ 4,985

O dólar comercial fechou a R$ 4,985, queda de 0,78% no dia e de 4,44% na semana pós-primeiro turno, enquanto o Ibovespa cravou 209.066,90 pontos, alta de 1,38% na sessão e de 8,82% no acumulado semanal, com máxima histórica intradia de 209.713,45 pontos. O IPCA de setembro subiu 0,82% e acumula 4,58% em 12 meses.

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🏷️ MercadosPor Redação Radar Finanças
Publicado em: 10/10/2026 às 06:02 BRT
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📌Fatos em Destaque

  • O dólar comercial fechou a R$ 4,985, com mínima de R$ 4,977 no dia, acumulando queda de 4,44% na semana e de 9,18% no ano.
  • O Ibovespa encerrou a 209.066,90 pontos, alta de 1,38% no dia e de 8,82% na semana, após cravar máxima histórica intradia de 209.713,45 pontos.
  • O IPCA de setembro subiu 0,82% e acumula 4,58% em 12 meses, acima do centro da meta perseguido pelo Copom, o que limita o espaço para acelerar cortes na Selic.

Dólar recua 4,44% na semana e Ibovespa crava máxima histórica de 209.713 pontos

O primeiro turno terminou e a Faria Lima não esperou o segundo para precificar o alívio. O dólar comercial encerrou o pregão a R$ 4,985, recuo de 0,78% no dia, após tocar a mínima de R$ 4,977. Na semana, a moeda americana cedeu 4,44%, e no acumulado de 2026 a desvalorização chega a 9,18%. Do outro lado da rua, o Ibovespa fechou a 209.066,90 pontos, alta de 1,38% na sessão, e registrou máxima histórica intradia de 209.713,45 pontos. No balanço semanal, o principal índice da B3 avançou 8,82%, um dos melhores desempenhos em meses.

Os números, divulgados pela Agência Brasil, desenham o que o mercado passou a chamar de rally pós-primeiro turno. A leitura predominante nas mesas é de redução do prêmio de risco político: com o primeiro turno definido, parte do capital estrangeiro que estava na lateralidade voltou a comprar ativos brasileiros, o que coincide com a pressão de baixa sobre o dólar e com a bolsa em território de recorde. Vale registrar o que a apuração não esclarece: não há detalhamento do volume financeiro negociado na B3 no dia, nem do fluxo líquido de capital estrangeiro, e a reportagem não especifica qual pesquisa eleitoral alimentou a expectativa positiva. Sem esses dados, o recorde do Ibovespa é um fato, mas a tese de que ele repousa sobre fundamentos sólidos ainda é uma hipótese.

IPCA de 0,82% em setembro testa a paciência do Copom e limita o espaço para cortes da Selic

Há, porém, um detalhe que a euforia prefere não destacar. O IPCA de setembro subiu 0,82%, e o acumulado em 12 meses chegou a 4,58%. O número caminha na direção oposta ao centro da meta perseguido pelo Banco Central, ainda que o alívio cambial ajude na margem. Traduzindo do economês: a inflação ainda não deu trégua suficiente para que o Copom se sinta confortável em acelerar cortes na Selic. É aqui que o rally encontra seu primeiro limite.

Um dólar mais fraco ajuda a conter a inflação de bens importados, mas o alívio cambial não compensa, sozinho, a pressão de serviços e alimentos. O mercado monitora se o Comitê de Política Monetária vai tratar a queda da moeda como argumento para flexibilizar a política monetária ou se manterá o discurso duro diante de um IPCA que insiste em rodar acima do centro da meta.

Brent acima de US$ 104 adiciona pressão inflacionária global

No exterior, o cenário não colabora. O Brent para dezembro fechou a US$ 104,72, alta de 0,42% no dia e de 2,41% na semana. O WTI para novembro terminou a US$ 91,85, avanço de 0,39% na sessão e de 0,81% no acumulado semanal. Petróleo caro é combustível direto para a inflação global, e o patamar acima de US$ 100 por barril mantém o pano de fundo de custo elevado para importadores.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 subiu 0,60%, enquanto o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas, avançou apenas 0,08%. A combinação é reveladora: o dólar global ficou praticamente estável, mas cedeu com força contra o real. Ou seja, a queda da moeda americana no Brasil coincide menos com o movimento externo e mais com o apetite local por risco. Quem ganha são os exportadores que compraram proteção cambial e os estrangeiros que entraram na B3 na virada; quem perde é quem manteve posição comprada em dólar apostando em aversão ao risco Brasil.

O que monitorar: 2º turno, ata do Copom e o teste de sustentação do fluxo estrangeiro

O calendário eleitoral segue como principal vetor de curto prazo. O segundo turno definirá se o alívio precificado agora se sustenta ou se transforma em realização de lucros. A ata do Copom e as próximas leituras de inflação serão o teste de estresse do otimismo.

A Faria Lima adora um rally. Só não gosta de descobrir, depois, que comprou a narrativa errada.

🏛️ Fonte Primária & Transparência EditorialAgência Brasil (EBC)
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