O ouro à vista (spot) registrou alta de 2% na sessão desta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, impulsionado pelo enfraquecimento do dólar no mercado cambial e pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). O movimento reforça a condição do metal como ativo de refúgio global em meio à descompressão dos juros longos americanos. No Brasil, o ETF de ouro GOLD11 opera a R$ 24,10, com valorização de 0,84% no pregão da B3.
Dólar fraco e Treasuries em queda sustentam o metal
O ouro spot subiu 2% na sessão de 19 de agosto de 2026, em um movimento diretamente correlacionado à desvalorização do dólar norte-americano, medido pelo índice DXY, e ao recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA. O metal precioso, cotado globalmente em dólar, tende a se valorizar quando a moeda americana perde força, tornando o ativo mais barato para detentores de outras moedas.
A queda dos juros longos americanos reduz o custo de oportunidade de manter posições em ouro, que não oferece rendimento periódico. Quanto menores os yields dos Treasuries, maior o apelo relativo do metal como reserva de valor.
GOLD11 acompanha movimento e opera em alta na B3
No mercado brasileiro, o ETF GOLD11, que replica o desempenho do ouro, opera a R$ 24,10 às 12h07 (horário de Brasília), com alta de 0,84% em relação ao fechamento anterior de R$ 23,90. O volume negociado no período é de R$ 282,1 mil.
O movimento do ETF brasileiro reflete a alta do ouro no exterior, embora em magnitude inferior devido à dinâmica cambial e à liquidez do ativo local.
Cenário macroeconômico brasileiro
No ambiente doméstico, a Selic meta está fixada em 14,00% ao ano, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses é de 0,84%, conforme dados oficiais. A mediana do câmbio projetado pelo Relatório Focus é de R$ 5,20 por dólar americano.
A combinação de juros reais elevados no Brasil não impede, no entanto, que o movimento externo do ouro se reflita nos ETFs locais, uma vez que o metal é cotado em dólar e o GOLD11 acompanha a variação internacional ajustada pelo câmbio.
Contexto global e perspectivas
O ouro opera como ativo de refúgio global e é diretamente beneficiado por um dólar mais fraco e pela descompressão dos juros longos americanos. A queda dos rendimentos dos Treasuries sinaliza expectativas de desaceleração econômica ou de afrouxamento monetário futuro por parte do Federal Reserve, cenário que historicamente favorece o metal.
Investidores acompanham os próximos indicadores econômicos dos EUA e as declarações de membros do Fed para calibrar as expectativas sobre o ritmo de cortes de juros, fator que determinará a trajetória do ouro nas próximas sessões.
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