A Refinaria de Mataripe, segunda maior do país e responsável por 14% da capacidade de refino nacional, reduziu o preço da gasolina A em 11,3%, passando de R$ 3,93 para R$ 3,49 por litro. O corte está diretamente atrelado à Medida Provisória 1.358, que institui subvenção federal de R$ 0,44/litro para conter a escalada dos combustíveis em meio ao agravamento do conflito no Irã.
O que a MP 1.358 prevê
A MP 1.358, editada pelo governo federal, concede subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina como mecanismo de contenção da alta dos combustíveis. A medida foi motivada pelo choque nos preços internacionais do petróleo decorrente do conflito no Irã.
A subvenção permite que refinarias privadas, como a Mataripe, reduzam o preço ao consumidor sem absorver integralmente a diferença em relação ao custo de importação. O valor de R$ 0,44/litro cobre parte do spread entre o preço doméstico e a paridade internacional.
- Subsídio de R$ 0,44/litro de gasolina
- Medida Provisória com efeito imediato
- Visa conter impacto do conflito no Irã sobre preços domésticos
Mataripe vs. Petrobras: diferença de R$ 0,88/litro
Com a redução, a gasolina A da Refinaria de Mataripe passou a custar R$ 3,49/litro, ante R$ 2,61/litro cobrado pela Petrobras. A diferença de R$ 0,88 por litro evidencia a divergência de política de preços entre a estatal e a refinaria privada controlada pelo fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, o Mubadala Capital.
A Mataripe foi adquirida pela Acelen, controlada pelo Mubadala, em 2021, quando era a antiga Refinaria Landulpho Alves. Desde então, a refinaria adota política de preços alinhada à paridade internacional, enquanto a Petrobras mantém estratégia de moderação nos reajustes.
- Gasolina A Mataripe: R$ 3,49/litro
- Gasolina A Petrobras: R$ 2,61/litro
- Diferença de R$ 0,88/litro entre as políticas de preços
Impacto regional e capacidade de refino
A Refinaria de Mataripe responde por 42% do abastecimento da Região Nordeste e 80% do abastecimento da Bahia. Com capacidade de refino de aproximadamente 302 mil barris de petróleo por dia, é a segunda maior refinaria do Brasil, atrás apenas da Replan (Paulínia/SP), da Petrobras.
A redução de 11,3% no preço da gasolina A deve aliviar parcialmente a pressão inflacionária sobre os combustíveis no Nordeste, região mais dependente da refinaria. O movimento ocorre em um cenário macroeconômico de Selic a 14% ao ano e IPCA acumulado em 12 meses de 1,94%, com o Boletim Focus projetando IPCA de 5,02% para 2026.
PETR4 e o contexto de mercado
As ações da Petrobras (PETR4) fecharam o pregão a R$ 41,92, com alta de 1,13% e volume negociado de R$ 24,99 milhões. O papel acumula dividend yield de 10,41% nos últimos 12 meses, com múltiplo P/L de 4,09 vezes e preço sobre valor patrimonial (P/B) de 1,21 vez.
A Petrobras já manifestou publicamente interesse em recomprar a Refinaria de Mataripe, vendida em 2021 como parte do programa de desinvestimentos da estatal. A recompra, no entanto, dependeria de negociação com o Mubadala Capital e de aprovação do Conselho de Administração.
- Cotação PETR4: R$ 41,92 (+1,13%)
- Dividend Yield (12m): 10,41%
- P/L: 4,09x | P/B: 1,21x
- Máxima 52 semanas: R$ 50,69 | Mínima 52 semanas: R$ 29,31
Incertezas sobre a duração do subsídio
Não há detalhes oficiais sobre a duração do subsídio instituído pela MP 1.358 além dos 30 dias já prorrogados. Também não foi informado se outras refinarias privadas de petróleo no Brasil adotarão reduções equivalentes nos preços da gasolina.
A continuidade da subvenção dependerá da evolução do conflito no Irã e dos preços internacionais do petróleo, além de eventual aprovação do Congresso Nacional para converter a MP em lei.
Radar Finanças













