🔄 Atualizado em 28/07/2026 às 15:48 BRT
O IBGE revisou o dado do IPCA-15 de julho: a alta foi de 0,06%, e não 0,16% como inicialmente reportado. Trata-se da menor variação para o mês desde 2023.
🔄 Atualização • 28/07/2026 às 13:10 BRT
O IPCA-15 de julho registrou alta de 0,06%, segundo dados divulgados pelo G1 — valor inferior aos 0,16% anteriormente reportados pelo IBGE no artigo original. A correção altera o cenário inflacionário do período.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial da inflação no Brasil, registrou alta de 0,16% em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado foi diretamente influenciado pelo reajuste da energia elétrica, que impediu que o índice fechasse o mês com variação negativa — ou seja, em deflação.
O peso da conta de luz no índice
A alta da conta de luz foi o principal vetor de pressão sobre o IPCA-15 em julho. Sem o reajuste da energia elétrica, a prévia da inflação teria registrado deflação no período, indicando que os demais preços monitorados pelo IBGE apresentaram recuo ou estabilidade ao longo do mês.
O movimento reforça o papel dos preços administrados — aqueles regulados por contrato ou agências reguladoras — como fonte de pressão inflacionária no curto prazo, mesmo em um cenário de desaceleração da atividade econômica.
- IPCA-15 de julho: +0,16% no mês
- IPCA acumulado em 12 meses: 1,94%
- Principal pressão: reajuste da energia elétrica (conta de luz)
Inflação acumulada segue abaixo da meta
O IPCA acumulado em 12 meses até julho está em 1,94%, bem abaixo do centro da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O dado contrasta com as projeções do mercado: o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, aponta mediana de 5,12% para o IPCA de 2026.
A diferença entre a inflação observada e as expectativas futuras reflete, em parte, o efeito estatístico de bases de comparação elevadas e a defasagem dos choques de preços regulados. O mercado projeta que a inflação ganhe tração ao longo do segundo semestre.
Cenário de juros e câmbio
A Selic meta está atualmente em 14,25% ao ano, patamar elevado que reflete a postura cautelosa do Copom diante das expectativas de inflação acima da meta. O Boletim Focus indica mediana de 14,00% para a Selic ao final de 2026, sinalizando expectativa de corte moderado nos próximos meses.
O câmbio projetado pelo mercado é de R$ 5,20 por dólar americano ao final do ano. O CDI mensal está em 1,0%, alinhado à taxa básica de juros vigente.
Impacto para a política monetária
O dado do IPCA-15 de julho reforça a cautela do Copom em um ambiente de juros elevados e inflação corrente baixa, mas com expectativas futuras desancoradas. A leitura de que choques regulados — como a conta de luz — continuam pressionando o índice no curto prazo sugere que o Banco Central deve manter uma postura vigilante antes de iniciar qualquer ciclo de flexibilização monetária.
A combinação de inflação observada baixa com projeções elevadas para 2026 cria um dilema para a autoridade monetária: o espaço para cortes na Selic existe no curto prazo, mas a credibilidade do regime de metas exige que a convergência das expectativas seja demonstrada antes de qualquer afrouxamento.















