Déficit do setor público sobe a R$ 55,3 bilhões em junho; dívida bruta chega a 81,9% do PIB

Déficit do setor público sobe a R$ 55,3 bilhões em junho; dívida bruta chega a 81,9% do PIB

Atualização em 31/07/2026 às 11:41 BRT: O déficit primário acumulado em 12 meses subiu para 1,19% do PIB em junho, 0,06 ponto percentual acima do registrado em maio. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) avançou 0,6 p.p. no mês, puxada por juros nominais (0,8 p.p.) e déficit primário (0,4 p.p.), parcialmente compensados pela desvalorização cambial de 2,4% (-0,2 p.p.) e variação do PIB nominal (-0,4 p.p.). No ano, a DLSP acumula alta de 3,2 p.p. do PIB. Já a Dívida Bruta do Governo Geral subiu 0,9 p.p. no mês, com destaque para juros nominais (0,8 p.p.) e emissões líquidas (0,6 p.p.); no ano, a alta é de 3,3 p.p. do PIB. O déficit nominal acumulado em 12 meses atingiu 9,99% do PIB, 0,38 p.p. acima do mês anterior.

O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026, ante R$ 47,1 bilhões no mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado reflete a combinação de despesas crescentes, aperto monetário e perdas com operações de swap cambial, elevando a dívida bruta do governo geral a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Déficit Primário (Jun/26)R$ 55,3 bilhões
Déficit Primário (Jun/25)R$ 47,1 bilhões
Déficit Primário Acum. 12MR$ 157,2 bilhões (1,19% do PIB)
Juros Nominais (Jun/26)R$ 110,7 bilhões
Juros Nominais (Jun/25)R$ 61,0 bilhões
Juros Nominais Acum. 12MR$ 1,16 trilhão (8,80% do PIB)
Resultado Nominal (Jun/26)-R$ 166 bilhões
Déficit Nominal Acum. 12MR$ 1,31 trilhão (9,99% do PIB)
Dlsp (% Pib)68,5%
Dívida Bruta (% Pib)81,9%
Selic Meta14,25% a.a.
Focus – Déficit Primário 2026-0,5% do PIB
Focus – Dívida Bruta 202683,3% do PIB
Focus – Selic 202614,0% a.a.
Focus – Câmbio 2026R$ 5,20/US$
Focus – Pib 20261,99%

Déficit primário e resultado nominal

No acumulado em 12 meses, o déficit primário do setor público consolidado alcançou R$ 157,2 bilhões, o equivalente a 1,19% do PIB. O Governo Central respondeu pelo maior rombo, com déficit de R$ 47,2 bilhões em junho, seguido pelos governos regionais (estados e municípios), com R$ 6,6 bilhões, e pelas estatais, com R$ 1,5 bilhão.

O resultado nominal do setor público — que incorpora o pagamento de juros — foi deficitário em R$ 166 bilhões no mês. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal atingiu R$ 1,31 trilhão, o equivalente a 9,99% do PIB, nível que sinaliza pressão fiscal estrutural sobre a economia brasileira.

Juros nominais e swap cambial pressionam contas

Os gastos com juros nominais do setor público consolidado totalizaram R$ 110,7 bilhões em junho de 2026, praticamente o dobro dos R$ 61,0 bilhões registrados em junho de 2025. No acumulado em 12 meses, os juros nominais somaram R$ 1,16 trilhão (8,80% do PIB), ante R$ 912,3 bilhões (7,41% do PIB) no mesmo período do ano anterior.

O aumento expressivo reflete o ciclo de aperto monetário em curso, com a taxa Selic mantida em 14,25% ao ano. Além disso, as operações de swap cambial geraram perda de R$ 9,3 bilhões em junho de 2026, contra um ganho de R$ 20,9 bilhões em junho de 2025, contribuindo para a deterioração do resultado nominal.

Endividamento em trajetória de alta

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu 68,5% do PIB em junho, o equivalente a R$ 9 trilhões, com alta de 0,6 ponto percentual em relação a maio. Já a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a 81,9% do PIB (R$ 10,8 trilhões), aumento de 0,9 ponto percentual ante o mês anterior.

Apesar da trajetória de alta, o indicador ainda se situa abaixo da mediana das projeções do mercado. O Boletim Focus, de 24 de julho de 2026, aponta mediana de déficit primário de -0,5% do PIB para o ano e dívida bruta de 83,3% do PIB ao final de 2026. A mediana para a Selic no fechamento do ano é de 14,0% ao ano, com câmbio projetado em R$ 5,20 por dólar e crescimento do PIB de 1,99%.

Impacto sobre o cenário macroeconômico

O relatório do Banco Central expõe o efeito combinado do aperto monetário e da piora nas operações de swap cambial sobre o resultado fiscal. O déficit nominal acumulado de 9,99% do PIB em 12 meses pressiona o prêmio de risco dos ativos brasileiros, a curva de juros futuros e as expectativas de câmbio, em um cenário de crescimento moderado do PIB projetado pelo mercado.

A Selic em 14,25% ao ano, combinada à inflação acumulada em 12 meses de 1,94% (IPCA) e ao CDI mensal de 1,16%, mantém o custo de rolagem da dívida pública em patamar elevado, desafiando a trajetória de sustentabilidade fiscal no curto e médio prazo.

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