A semana que se inicia na segunda-feira (17) será marcada pela atenção do mercado financeiro a três frentes principais: os dados de inflação (IPCA), o fluxo de capital estrangeiro na B3 e a continuidade da temporada de balanços do segundo trimestre de 2026. O Boletim Focus divulgado em 7 de agosto projeta IPCA mediano de 5,0176% e Selic de 13,75% ao final de 2026, enquanto a taxa básica de juros corrente está em 14,00% ao ano.
Boletim Focus: projeções macroeconômicas para 2026
O Boletim Focus de 7 de agosto de 2026, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, trouxe as seguintes medianas para os principais indicadores macroeconômicos ao final de 2026:
IPCA mediano: 5,0176% a.a. — acima do teto da meta de inflação; Selic mediana: 13,75% a.a. — indicando expectativa de afrouxamento monetário em relação aos atuais 14,00% a.a.; Câmbio mediano: R$ 5,20/US$; PIB mediano: 1,9828% de crescimento; Dívida Bruta do Governo Geral: 83,3% do PIB.
A Selic meta atual de 14,00% a.a. segue em patamar contracionista, e a mediana do Focus para 13,75% sugere que o mercado precifica ao menos um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica até o fim do ano.
IPCA acumulado em 12 meses e cenário de inflação
O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,9363%, dado defasado que reflete a base de comparação ainda pressionada. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 em 5,0176% indica que as expectativas do mercado estão acima do centro da meta de inflação, o que mantém o Comitê de Política Monetária (Copom) em posição cautelosa.
A diferença entre a inflação corrente (1,94% em 12 meses) e a projeção para o fechamento do ano (5,02%) reflete a expectativa de aceleração dos preços nos próximos meses, influenciada por fatores como câmbio, preços administrados e atividade econômica.
Fluxo estrangeiro na B3 e temporada de balanços do 2T26
A B3 reabre para negociações na segunda-feira às 10h (horário de Brasília), após o fechamento do fim de semana. O mercado acompanhará os dados de fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira, indicador que reflete o apetite de investidores internacionais por ativos domésticos.
A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) segue como um dos principais drivers de curto prazo para os preços dos ativos. Empresas de setores como consumo, finanças, energia e infraestrutura devem divulgar seus resultados ao longo da semana, influenciando o Ibovespa e os setores específicos.
O comportamento do fluxo estrangeiro será particularmente relevante em um cenário de juros elevados (Selic em 14,00% a.a.) e câmbio projetado a R$ 5,20/US$, que afetam a atratividade relativa dos ativos brasileiros para o capital externo.
Agenda econômica da semana
Além dos balanços corporativos, a agenda econômica inclui a divulgação de indicadores de inflação, atividade e emprego que podem balizar as expectativas para a próxima reunião do Copom. O mercado também monitora desdobramentos fiscais e políticos que impactam o prêmio de risco dos ativos brasileiros.
A combinação de inflação acima da meta, juros elevados e crescimento moderado do PIB (1,98% projetado) compõe um cenário de desafios para a política monetária e para a precificação de ativos de renda variável e renda fixa.
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