O ouro amplia as perdas nos mercados globais nesta sexta-feira, 31 de julho de 2026, pressionado por declarações de membros dissidentes do Federal Reserve (Fed) que reforçam as apostas em manutenção ou alta de juros nos Estados Unidos. No Brasil, o ETF GOLD11, que replica o desempenho do metal precioso na B3, registrava queda de -1,29%, cotado a R$ 21,36, em linha com o movimento externo de aversão ao ativo que não oferece rendimento em um cenário de juros elevados.
Ouro pressionado por sinalizações do Fed
O movimento de queda do ouro está diretamente atrelado às declarações de membros dissidentes do Federal Reserve, que sinalizam a necessidade de manter ou elevar a taxa de juros nos Estados Unidos. Juros mais altos tornam o dólar mais atrativo para investidores globais e aumentam o custo de oportunidade para ativos que não pagam rendimentos, como o ouro.
A correlação inversa entre a taxa de juros americana e o preço do metal precioso é um dos pilares da precificação do ativo. Com o mercado precificando uma postura mais hawkish do Fed, o ouro perde espaço como porto seguro e sofre pressão vendedora nos mercados futuros e à vista.
GOLD11 opera em queda na B3
O ETF GOLD11, principal veículo de exposição ao ouro negociado na B3, registrava queda de -1,29% no pregão desta sexta-feira, cotado a R$ 21,36. O volume financeiro negociado até o momento era de aproximadamente R$ 582,8 mil.
O fechamento anterior do ativo foi de R$ 21,64. A desvalorização do dia reflete o movimento de realização observado nos contratos futuros do ouro em Nova York, que operam em baixa acompanhando o fortalecimento das expectativas de juros elevados nos EUA.
Cenário doméstico de juros elevados
No Brasil, o ambiente macroeconômico também é de juros altos. A taxa Selic meta está em 14,25% ao ano, e o Boletim Focus mais recente projeta a Selic mediana em 14,0% para o fechamento de 2026. O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94%, com a mediana das projeções do mercado para o IPCA de 2026 em 5,12% ao ano.
O CDI mensal está em 1,16%, mantendo a renda fixa doméstica como alternativa competitiva frente a ativos de risco e commodities. Nesse contexto, o ouro perde atratividade relativa tanto no mercado externo quanto no brasileiro.
Perspectivas para o metal
A trajetória do ouro nas próximas sessões dependerá diretamente dos próximos sinais de política monetária do Federal Reserve. Caso novos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reforcem o tom hawkish, o metal precioso pode enfrentar pressão adicional.
Por outro lado, qualquer sinalização de alívio monetário ou desaceleração econômica mais acentuada nos EUA pode reverter parte das perdas, reavivando a demanda por ouro como ativo de proteção. O mercado segue atento aos indicadores de emprego e inflação americanos para calibrar as expectativas.
















