Nova York proíbe Mashinsky em caráter permanente de cripto, valores mobiliários e commodities em aco

Nova York proíbe Mashinsky em caráter permanente de cripto, valores mobiliários e commodities em acordo de até US$ 35 milhões

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, anunciou na sexta-feira um acordo que proíbe Alex Mashinsky, fundador da Celsius, de atuar em caráter permanente nos mercados de criptomoedas, de valores mobiliários e de commodities. A estrutura condicional pode alcançar US$ 35 milhões e se soma a uma sentença federal de 12 anos de prisão e a um confisco superior a US$ 48 milhões.

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🏷️ CriptoativosPor Redação Radar Finanças
Publicado em: 10/10/2026 às 03:25 BRT
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📌Fatos em Destaque

  • Mashinsky fica permanentemente proibido de atuar nos mercados de criptomoedas, de valores mobiliários e de commodities, conforme acordo com a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.
  • A estrutura condicional pode chegar a US$ 35 milhões: US$ 25 milhões pagos a Nova York caso o executivo não abra mão de US$ 10 milhões em ganhos ilícitos em favor do governo federal.
  • O fundador da Celsius cumpre sentença federal de 12 anos de prisão por fraude e foi condenado separadamente a abrir mão de mais de US$ 48 milhões.

O banimento definitivo e a engenharia condicional de US$ 35 milhões

Alex Mashinsky vendeu durante anos a ideia de que a Celsius era o cofre mais seguro do mercado cripto, com rendimentos de até 17% que pareciam bons demais para serem verdade. Eram. O fundador da plataforma agora assina o documento que encerra sua carreira no setor: banimento permanente dos mercados de criptomoedas, de valores mobiliários e de commodities em acordo com a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

O acordo costurado pela procuradoria fecha as portas do setor para Mashinsky de forma irrevogável. A parte financeira, porém, é condicional: o valor depende de como o executivo tratará o confisco federal. Pelo desenho do acerto, Mashinsky pagará US$ 25 milhões a Nova York caso não abra mão de outros US$ 10 milhões em ganhos ilícitos em favor do governo federal. Somadas, as duas parcelas podem alcançar US$ 35 milhões. A lógica é simples e pouco romântica: o estado aceita ficar atrás da União na fila da recuperação de ativos, desde que o réu não tente preservar o que já foi declarado ilícito.

O pano de fundo criminal é mais pesado que a fatura civil. Mashinsky cumpre sentença federal de 12 anos de prisão por fraude, após confessar culpa em dezembro de 2024 por crimes envolvendo valores mobiliários e commodities. Em processo separado, foi condenado a abrir mão de mais de US$ 48 milhões. A ação civil de Nova York, protocolada em 2023, acusava o executivo de induzir centenas de milhares de investidores ao erro sobre a segurança da Celsius antes do colapso da plataforma, em 2022.

Por que Nova York aceitou US$ 25 milhões condicionais em vez de uma multa seca

A estrutura condicional tem uma razão prática: evitar a dupla recuperação do mesmo bolso. Se a União confisca primeiro os US$ 10 milhões em ganhos ilícitos, o estado não cobra os US$ 25 milhões. Se o réu tenta blindar esses recursos, a fatura estadual reaparece integralmente. Na prática, é uma cláusula de incentivo disfarçada de multa, o tipo de arquitetura jurídica que transforma cada decisão patrimonial do condenado em uma escolha entre dois credores.

O que não existe até aqui é cronograma. A procuradoria não detalhou o calendário de pagamento dos US$ 25 milhões condicionais, e segue em aberto se Mashinsky teria patrimônio suficiente para honrar simultaneamente os US$ 35 milhões do acordo e os mais de US$ 48 milhões do confisco federal. Em casos assim, a fila de credores costuma dizer mais sobre o valor efetivamente recuperado do que o número estampado no comunicado.

O recado da Celsius para as plataformas de empréstimo cripto

O desfecho do caso Celsius virou referência para o período pós-colapso de 2022. A procuradoria de Nova York e as agências federais passaram a tratar plataformas de empréstimo cripto e exchanges sob a mesma lente aplicada a intermediários financeiros tradicionais, o que amplia o precedente para ações da SEC e da CFTC no setor. O banimento vitalício de um fundador é a camada mais visível dessa escalada.

A pergunta incômoda que sobra na mesa é quantas outras plataformas operaram, ou ainda operam, com estruturas parecidas com as da Celsius: promessa de rendimentos elevados apresentados como renda previsível, lastro opaco e uma dependência silenciosa de novos entrantes para sustentar os saques. Nesse modelo, a transparência costuma ser a primeira linha a desaparecer do balanço.

Nova York como vitrine regulatória e o sinal para o mercado cripto

Nova York tem um histórico de usar o próprio aparato estadual, sob a batuta de Letitia James, para ocupar espaço que a regulação federal demora a preencher. O acordo com Mashinsky reforça esse papel: mesmo com o caso criminal já resolvido em instância federal, o estado garantiu uma vitória simbólica e um compromisso financeiro adicional, ampliando o custo reputacional e patrimonial do executivo.

Para a Faria Lima cripto, o recado é direto. Estruturas de captação que flertam com a promessa de retorno garantido sem lastro verificável entraram na mira, e o custo de errar deixou de ser apenas regulatório para se tornar criminal. O mercado pode até achar que exagero é coisa do passado, mas os processos continuam chegando às mesas dos procuradores.

O que monitorar: confisco federal, cronograma e eventuais recursos

Os próximos capítulos dependem de três frentes. A primeira é a execução do confisco federal de mais de US$ 48 milhões, que definirá se a fatura estadual de US$ 25 milhões será efetivamente cobrada. A segunda é a existência de patrimônio rastreável suficiente para cobrir as duas cobranças. A terceira é a eventual apresentação de recursos ou revisões que possam alterar prazos, embora o banimento permanente já esteja consolidado no acordo.

Enquanto isso, o caso permanece como o precedente mais emblemático de como Washington e os estados americanos passaram a dividir o trabalho de punir fraudes no setor cripto. Para quem acompanha o mercado, a lição prática é que a matemática da promessa, e não o marketing da plataforma, continua sendo o melhor indicador de risco.

Aviso Legal & Transparência: Este conteúdo possui caráter meramente informativo e jornalístico, não constituindo análise, recomendação de investimento ou indicação de compra e venda de ativos. As decisões financeiras devem ser tomadas com base em seu próprio perfil de risco e com suporte de especialistas certificados.
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Redação Radar Finanças
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