Pela 1ª vez desde março, mercado reduz expectativa para Selic em 2026, aponta Focus

Pela 1ª vez desde março, mercado reduz expectativa para Selic em 2026, aponta Focus

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central, indica pela primeira vez desde março de 2026 uma redução nas expectativas do mercado para a taxa Selic ao fim do ano. A mediana das projeções passou de 14% para 13,75%, sinalizando a expectativa de ao menos um corte na taxa básica de juros, atualmente em 14,25%, até dezembro.

O que diz o Boletim Focus desta semana

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central, aponta que a Selic deve fechar 2026 em 13,75%. Na semana passada, as expectativas eram de que a taxa básica de juros terminaria o ano em 14%, projeção 0,25 ponto percentual acima da apresentada hoje.

A última vez em que as projeções do boletim indicaram queda foi em março de 2026, quando a mediana caiu de 12,13% para 12%. Desde então, as expectativas vinham se mantendo estáveis ou em alta, o que torna o movimento desta semana um ponto de inflexão relevante para a política monetária brasileira.

A taxa atual, estabelecida pelo Copom do Banco Central em 17 de junho, é de 14,25%. A próxima reunião do comitê está prevista para os dias 4 e 5 de agosto, quando o mercado passará a observar se o ciclo de afrouxamento monetário terá início.

  • Selic projetada para 2026: 13,75% (ante 14% na semana anterior)
  • Taxa Selic atual: 14,25% (definida pelo Copom em 17 de junho)
  • Próxima reunião do Copom: 4 e 5 de agosto

Inflação em trajetória de queda

Pela quinta semana consecutiva, o mercado financeiro reduziu as expectativas de inflação para 2026, com o IPCA devendo fechar o ano em 5,03%. Na semana passada, o mercado trabalhava com horizonte inflacionário de 5,12%; há quatro semanas, as expectativas eram de 5,30%.

O alívio gradual nas projeções inflacionárias é o principal fator que abre espaço para o início do ciclo de cortes de juros. As previsões para a inflação permanecem estáveis para 2027 (IPCA em 4,22%) e 2028 (IPCA em 3,80%).

  • IPCA projetado para 2026: 5,03% (quinta queda consecutiva)
  • IPCA projetado para 2027: 4,22% (estável)
  • IPCA projetado para 2028: 3,80% (estável)

PIB, câmbio e projeções de médio prazo

As projeções para o PIB e o câmbio em 2026 vêm se mantendo estáveis há pelo menos cinco semanas, em 1,99% e R$ 5,20, respectivamente. Já as projeções de crescimento econômico para 2027 variaram de 1,60% para 1,57% nesta semana.

A cotação do dólar para 2027 foi projetada a R$ 5,28, ante R$ 5,29 na semana passada. As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.

  • PIB 2026: 1,99% (estável há cinco semanas)
  • Dólar 2026: R$ 5,20 (estável há cinco semanas)
  • Selic 2027: 12% | Selic 2028: 10,5% (estáveis)

Impacto para investidores

A sinalização de queda da Selic para o fim de 2026 tem impacto direto em renda fixa, crédito e ativos de risco na B3. A expectativa de afrouxamento monetário tende a pressionar os rendimentos de títulos prefixados e pós-fixados, ao mesmo tempo em que pode favorecer a migração de recursos para ativos de maior risco, como ações e fundos imobiliários.

A confirmação do início do ciclo de cortes dependerá da leitura do Copom sobre a convergência da inflação ao longo dos próximos meses, especialmente considerando que o IPCA projetado para 2026 (5,03%) ainda permanece acima da meta oficial.

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