Copom reduz Selic para 14% ao ano na quarta queda consecutiva

Copom reduz Selic para 14% ao ano na quarta queda consecutiva

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, na reunião realizada em 5 de agosto de 2026. Esta é a quarta redução consecutiva promovida pelo colegiado, que iniciou o ciclo de afrouxamento em março deste ano, após a Selic ter permanecido em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026 — o maior patamar em quase duas décadas.

O contexto da decisão

A decisão do Copom reflete o equilíbrio entre a desaceleração gradual da inflação e as incertezas do cenário externo. O IPCA-15 de julho de 2026 registrou variação de 0,06% no mês, acumulando 3,51% no ano e 4,52% em 12 meses. O indicador se aproxima do teto da meta de inflação, que é de 3% ao ano com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.

O Banco Central destacou em seu comunicado que os indicadores domésticos sugerem moderação gradual da atividade econômica, embora o mercado de trabalho ainda se mantenha aquecido. Esse quadro, combinado com a trajetória descendente da inflação, tem dado margem para o Copom prosseguir com o ciclo de cortes graduais de 0,25 p.p.

Cenário externo e cautela do BC

O Copom mencionou que o cenário externo permanece marcado por indefinições, especialmente em relação aos conflitos no Oriente Médio e à incerteza sobre a condução da política monetária nas economias avançadas. Esses fatores têm exigido cautela adicional na condução da política doméstica.

Apesar do ambiente global volátil, o comitê avaliou que o ritmo atual de afrouxamento é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante. O BC reforçou que seguirá monitorando de perto a evolução dos preços e das expectativas de mercado.

Projeções do mercado

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, indica que o mercado projeta a Selic mediana em 13,75% ao ano para o fechamento de 2026, o que sugere expectativa de novos cortes nos próximos encontros do Copom.

Para a inflação, a mediana das projeções do Focus aponta IPCA de 5,03% ao ano em 2026, acima do centro da meta. O mercado também projeta câmbio em R$ 5,20/US$, crescimento do PIB de 1,99%, taxa de desocupação de 5,4% e resultado primário de -0,5% do PIB. A dívida bruta do setor público é estimada em 83,3% do PIB.

Impacto nos investimentos

A redução da Selic para 14% ao ano tem implicações diretas para os investidores. A taxa básica de juros é referência para a rentabilidade da renda fixa, especialmente os títulos do Tesouro Direto atrelados ao CDI e à Selic. Com a trajetória de queda, a tendência é de redução gradual dos rendimentos desses papéis.

Para a renda variável, juros mais baixos tendem a beneficiar setores como consumo, varejo e construção civil, que se beneficiam de condições de crédito mais favoráveis. Por outro lado, o BC sinalizou que o ritmo de cortes continuará sendo ditado pelos dados de inflação e atividade, o que mantém o cenário de cautela para os próximos meses.

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