O mercado de ouro registra movimento de baixa nesta sexta-feira (14), pressionado pelo dilema entre a expectativa de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve (Fed) e a escalada das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, rota crítica para o fluxo global de petróleo. O cenário divide investidores entre o custo de oportunidade imposto pela renda fixa americana e a busca por ativos de segurança (safe haven).
Cenário macroeconômico e pressão sobre o ouro
O movimento de baixa do ouro reflete, em primeiro plano, a política monetária restritiva do Federal Reserve. Juros elevados nos Estados Unidos aumentam o custo de oportunidade de manter posições em ativos que não pagam rendimentos, como o ouro, pressionando sua cotação para baixo.
No Brasil, a Selic meta está fixada em 14,00% ao ano, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses registra 1,94%, resultando em juros reais elevados. O Boletim Focus projeta a Selic em 13,75% a.a. para o fechamento de 2026 e o câmbio em R$ 5,20/US$ no mesmo período.
Esse cenário de juros reais positivos na economia doméstica pode reduzir a atratividade relativa do ouro frente a ativos de renda fixa brasileiros, como títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic ou ao IPCA.
Tensão no Estreito de Ormuz impulsiona demanda por proteção
Do outro lado da balança, a escalada geopolítica no Estreito de Ormuz — rota por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial — sustenta a demanda por ouro como ativo de segurança (safe haven). O temor de interrupções no fornecimento de petróleo eleva a aversão ao risco e beneficia metais preciosos.
O efeito combinado entre juros altos e risco geopolítico cria um movimento de preço não direcional, com o ouro oscilando entre pressões opostas. O mercado monitora declarações de membros do Fed e desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio para definir o próximo vetor de preço.
Desempenho dos ativos no último pregão
No fechamento do último pregão, os principais ativos ligados ao setor apresentaram os seguintes desempenhos:
GOLD11 (ETF de ouro) fechou a R$ 23,77, com alta de 1,41% em relação ao fechamento anterior de R$ 23,44.
PETR4 (Petrobras) encerrou a R$ 41,90, valorização de 1,09% ante os R$ 41,45 do pregão anterior.
PRIO3 (PetroRio) fechou a R$ 59,07, leve queda de 0,12% comparado aos R$ 59,14 do fechamento anterior.
O movimento positivo de PETR4 e GOLD11 reflete, em parte, o prêmio de risco geopolítico embutido nos ativos ligados a commodities, enquanto PRIO3 apresentou estabilidade com viés negativo.
Perspectivas para o mercado de commodities
A continuidade do movimento do ouro dependerá do desfecho de duas variáveis principais: a sinalização do Fed sobre o ritmo de cortes de juros ao longo do segundo semestre de 2026 e a evolução das tensões no Estreito de Ormuz.
Cenários possíveis incluem: (1) desescalada geopolítica combinada com juros elevados, o que tenderia a pressionar o ouro para baixo; (2) agravamento do conflito no Oriente Médio, o que poderia impulsionar o metal precioso independentemente do nível de juros; e (3) manutenção do status quo, com o ouro oscilando lateralmente dentro de um intervalo definido pelas duas forças antagônicas.
ADVFN
Radar Finanças













