Alerta no campo: safra de 2027 enfrenta ameaça climática que encarece feijão e arroz

Alerta no campo: safra de 2027 enfrenta ameaça climática que encarece feijão e arroz

O fenômeno climático Super El Niño, projetado para os próximos ciclos, acende o alerta no setor agropecuário brasileiro para a safra de 2027. As culturas de feijão e arroz, pilares da cesta básica nacional, estão no centro das preocupações e devem registrar os maiores impactos nos preços ao consumidor, segundo projeções de meteorologistas e analistas de mercado.

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Por Redação Radar Finanças

Publicado em: 08/08/2026 às 12:06 BRT

O que é o Super El Niño e como afeta o Brasil

O Super El Niño é um fenômeno climático de grande escala caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Quando atinge intensidade extrema — classificada como “Super El Niño” —, seus efeitos sobre o regime de chuvas e temperaturas globais são severos e prolongados.

No Brasil, o fenômeno tende a provocar estiagens intensas na região Norte e Nordeste e chuvas volumosas e mal distribuídas no Centro-Sul, justamente onde se concentra a maior parte da produção de grãos. Para a safra de 2027, os modelos climáticos indicam uma janela crítica entre o plantio e a colheita do verão, período mais sensível para culturas como feijão e arroz.

Feijão e arroz: as culturas mais expostas

O feijão e o arroz são culturas altamente dependentes de um regime de chuvas estável. O feijoeiro, com ciclo curto de 70 a 90 dias, sofre diretamente com veranicos (períodos secos dentro da estação chuvosa). Já o arroz irrigado, cultivado predominantemente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, depende de reservas hídricas que podem ser comprometidas por chuvas mal distribuídas.

A combinação de estresse hídrico severo com temperaturas acima da média tende a reduzir a produtividade por hectare. Em episódios anteriores de Super El Niño, como o de 2015-2016, a produção de feijão registrou queda superior a 15% em algumas regiões, enquanto o arroz teve sua produtividade impactada pelo excesso de chuvas na fase de colheita no Sul do país, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Impacto esperado nos preços ao consumidor

Com a oferta doméstica pressionada, a tendência é de repasse direto aos preços nas gôndolas dos supermercados. O feijão, por ser um item de demanda inelástica (o consumidor não reduz o consumo mesmo com alta de preço), costuma liderar os índices de inflação de alimentos em eventos climáticos extremos.

Caso as projeções se confirmem, o IPCA de alimentos pode sofrer pressão adicional já a partir do primeiro semestre de 2027, com impacto mais concentrado nos itens in natura e nos beneficiados de primeira linha. Analistas do mercado financeiro monitoram os boletins de risco climático do Ministério da Agricultura e os relatórios de safra da Conab, que devem ser revisados nas próximas edições caso o fenômeno se consolide.

Vale ressaltar que se trata de uma projeção baseada em modelos climáticos de longo prazo. A concretização dos impactos depende da intensidade real do fenômeno, das medidas de mitigação adotadas pelos produtores (como irrigação suplementar e zoneamento agrícola) e do comportamento dos estoques reguladores do governo.

O que acompanhar daqui para frente

Para o investidor e o formulador de políticas públicas, o acompanhamento dos relatórios climáticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) será essencial nos próximos meses. A confirmação de um Super El Niño para o ciclo 2026-2027 pode antecipar movimentos de hedge cambial e de commodities por parte das tradings agrícolas.

No mercado de inflação, os agentes devem incorporar prêmios de risco nos contratos futuros de IPCA caso as indicações se tornem mais robustas. Até o momento, não há revisão oficial das estimativas de safra, mas o tema já está na pauta das principais consultorias meteorológicas do setor.

Aviso Legal & Transparência: Este conteúdo possui caráter meramente informativo e jornalístico, não constituindo análise, recomendação de investimento ou indicação de compra e venda de ativos. As decisões financeiras devem ser tomadas com base em seu próprio perfil de risco e com suporte de especialistas certificados.