A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou que a Inteligência Artificial (IA) está, até o momento, gerando um efeito líquido de impulso sobre a inflação, em vez de atuar como uma força de contenção de preços na economia americana. A declaração foi feita em evento recente e contraria a tese difundida no mercado financeiro de que a automação e o ganho de produtividade proporcionados pela tecnologia atuariam como fatores desinflacionários no curto prazo.
O efeito líquido da IA sobre os preços
Segundo Yellen, a adoção acelerada de sistemas de IA por empresas de diferentes setores tem gerado pressões de demanda — por investimentos em infraestrutura, hardware, energia e contratação de mão de obra especializada — que superam, neste momento, os ganhos de eficiência que poderiam reduzir custos e, consequentemente, os preços ao consumidor.
“A Inteligência Artificial está, até o momento, mais impulsionando do que controlando a inflação”, declarou a secretária, em uma avaliação que coloca em perspectiva o otimismo generalizado do mercado quanto ao potencial desinflacionário da tecnologia.
A visão de Yellen sugere que o ciclo de investimentos maciços em IA — incluindo data centers, semicondutores e infraestrutura de nuvem — está gerando um choque de demanda em setores-chave da economia, elevando custos de insumos e pressionando margens antes que os ganhos de produtividade se materializem em escala suficiente para compensar esse movimento.
Contexto macroeconômico
A declaração ocorre em um momento em que o Federal Reserve (Fed) mantém a taxa de juros em patamares elevados, entre 5,25% e 5,50% ao ano, no esforço para conter a inflação americana. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou alta anual de 3,0% em junho, ainda acima da meta de 2,0% perseguida pelo banco central americano.
Se a avaliação de Yellen estiver correta, o efeito inflacionário líquido da IA no curto prazo pode representar um obstáculo adicional para o Fed na retomada da trajetória de queda dos juros, uma vez que a pressão de demanda gerada pelos investimentos em tecnologia pode manter a inflação mais resiliente do que o esperado.
Perspectivas para o médio prazo
A secretária do Tesouro não descartou que, no médio e longo prazo, a IA possa vir a exercer um papel desinflacionário mais relevante, à medida que os ganhos de produtividade se consolidem e os custos de implantação sejam amortizados. No entanto, a avaliação atual é de que o saldo líquido ainda favorece a pressão altista sobre os preços.
O posicionamento de Yellen adiciona uma camada de complexidade ao debate sobre a trajetória da inflação americana e as perspectivas para a política monetária do Fed nos próximos meses.















