A ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou que o ex-presidente Donald Trump tenta destruir a independência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A declaração acendeu o alerta para o risco de “dominância fiscal” no país — cenário em que a política monetária perde autonomia para financiar gastos do governo, comprometendo o controle da inflação.
Yellen, que também presidiu o Fed entre 2014 e 2018, classificou a investida de Trump como o maior ataque institucional à credibilidade da autoridade monetária americana desde os anos 1970. A fala foi registrada em entrevista veiculada originalmente pela Forbes Brasil.
O que está em jogo com a independência do Fed
A independência do Federal Reserve é um pilar da política monetária dos EUA desde o Acordo do Tesouro-Fed de 1951, que encerrou a prática de o banco central financiar diretamente o déficit público. Sem essa autonomia, o Fed poderia ser pressionado a manter juros artificialmente baixos para beneficiar o curto prazo político, gerando inflação descontrolada no longo prazo.
- Credibilidade anti-inflacionária: A liberdade do Fed para definir juros sem interferência política é o principal instrumento de controle da inflação americana.
- Prêmio de risco em Treasuries: Se o mercado passar a duvidar da independência do Fed, os títulos do Tesouro americano podem exigir prêmios de risco mais altos, elevando os juros de longo prazo.
- Contaminação global: Um Fed subordinado ao Executivo enfraquece o dólar como âncora do sistema financeiro global e pressiona mercados emergentes, como o Brasil.
Cenário macroeconômico e riscos para emergentes
O alerta de dominância fiscal nos EUA ocorre em um momento em que o Brasil já opera sob aperto monetário. O Boletim Focus de 17 de julho de 2026 projeta a Selic mediana em 14,0% ao ano e o IPCA em 5,15% ao ano, enquanto a dívida bruta do governo geral é estimada em 83,3% do PIB. O câmbio projetado é de R$ 5,20 por dólar.
Se a credibilidade do Fed for abalada, o dólar pode se fortalecer globalmente, elevando a pressão cambial sobre economias emergentes e forçando bancos centrais como o Banco Central do Brasil a manter juros ainda mais altos para conter a inflação importada.
O Fear & Greed Index do mercado cripto marca 31 pontos (Fear), indicando aversão ao risco no mercado global — sinal de que investidores já precificam maior incerteza institucional nos EUA.
“O ataque de Trump à independência do Fed pode pressionar o dólar globalmente e impactar mercados emergentes como o Brasil, que já operam com juros elevados e câmbio projetado a R$ 5,20/US$”, alerta a análise do Radar Finanças.















