Gestores do mercado financeiro brasileiro apontam a inteligência artificial (IA) como o principal motor de ganhos de produtividade e expansão de margens corporativas no curto e médio prazo. O diagnóstico, no entanto, vem acompanhado de uma ressalva relevante: a inflação persistente segue como o maior risco macroeconômico na visão dos profissionais consultados.
A dicotomia entre o otimismo tecnológico e o aperto monetário define o atual humor do mercado. De um lado, a IA é vista como ferramenta capaz de reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência produtiva das empresas. Do outro, o custo de capital elevado e a inflação acima do centro da meta seguem pressionando as decisões de alocação.
Cenário macro: juros elevados e inflação acima da meta
O Boletim Focus de 17 de julho de 2026 projeta a Selic mediana em 14,00% ao ano para 2026, patamar que reflete o esforço do Banco Central para conter a inflação. A mediana do IPCA para o mesmo período está em 5,15% ao ano, acima do centro da meta de 3,50%.
O câmbio mediano projetado pelo mercado é de R$ 5,20 por dólar, enquanto o PIB deve crescer 1,99% em 2026, segundo a mesma pesquisa. A dívida bruta do setor público está estimada em 83,3% do PIB, e o resultado primário mediano esperado é deficitário em 0,5% do PIB.
Indicadores de curto prazo
Os dados mais recentes disponíveis, de 1º de junho de 2026, mostram um IPCA acumulado em 12 meses de 1,94% e uma Selic meta anual de 0,90% — números que refletem o momento anterior ao ciclo de aperto monetário em curso.
O embate entre inovação tecnológica e restrição monetária deve continuar pautando as estratégias de investimento nos próximos meses, à medida que o mercado monitora a trajetória da inflação e os efeitos da IA sobre a produtividade corporativa.















