O ex-presidente do Federal Reserve (Fed) afirmou que a Inteligência Artificial (IA) está pressionando a inflação nos Estados Unidos, o que pode inviabilizar ou adiar o ciclo de cortes de juros no curto prazo. A declaração insere-se no debate global sobre os efeitos da automação e do avanço tecnológico sobre a dinâmica de preços.
Segundo o ex-dirigente da autoridade monetária americana, a IA — frequentemente tratada como força desinflacionária por seus ganhos de produtividade — vem sendo reinterpretada por formuladores de política monetária como um fator de pressão sobre os preços. O argumento central é que a expansão acelerada da tecnologia eleva a demanda por energia, semicondutores e infraestrutura de data centers, além de gerar recomposição salarial em setores aquecidos.
Impacto no ciclo de juros global
A sinalização de que o Fed pode manter os juros elevados por mais tempo tem implicações diretas sobre o fluxo de capitais para economias emergentes, o câmbio e a curva de juros global. No Brasil, o mercado financeiro projeta a taxa Selic mediana em 14,0% ao ano e o IPCA mediano em 5,15% ao ano para 2026, segundo o Boletim Focus de 17 de julho de 2026. A mediana para a taxa de câmbio é de R$ 5,20 por dólar.
Com juros americanos permanecendo em patamares elevados por mais tempo, o diferencial de juros entre Estados Unidos e Brasil se reduz, o que tende a diminuir o apetite por ativos de risco domésticos e pressionar o real.
Revisão da tese inflacionária
A visão do ex-presidente do Fed contrasta com a narrativa predominante nos últimos anos, que associava a IA a ganhos de eficiência e queda de custos. A nova leitura sugere que, no curto prazo, os investimentos maciços em infraestrutura tecnológica geram choques de demanda que superam os ganhos de produtividade, alimentando a inflação.
Esse reposicionamento ocorre em um momento em que o Fed mantém sua taxa de referência em nível restritivo, aguardando sinais consistentes de arrefecimento inflacionário para iniciar a flexibilização monetária. A declaração pública de um ex-presidente da instituição reforça a tese de que o ciclo de cortes pode demorar mais do que o esperado pelo mercado.
“A Inteligência Artificial está pressionando a inflação e pode impedir cortes de juros nos Estados Unidos”, afirmou o ex-presidente do Fed, em declaração que ecoa entre analistas e investidores globais.















