O dólar comercial fechou em queda de 0,42% nesta sessão, cotado a R$ 5,089, enquanto o Ibovespa recuou 0,20%, aos 173.371,35 pontos, registrando a quarta queda consecutiva. O movimento reflete um mercado dividido entre o fluxo cambial favorável ao real — sustentado pelo diferencial de juros e pelo superávit comercial — e a aversão ao risco geopolítico, que pressionou mineradoras e limitou os ganhos da Petrobras.
Resumo Executivo
- O Fato: Dólar cai 0,42% e fecha a R$ 5,089; Ibovespa recua 0,20% na quarta sessão negativa consecutiva.
- O Número: Desvalorização acumulada do dólar em 2026 atinge 7,28%; no mês de julho, a queda é de 1,42%.
- O Impacto: Juros altos no Brasil (Selic em 0,74% ao mês) seguem favorecendo o carry trade, enquanto tensões no Oriente Médio elevam o petróleo e geram cautela na bolsa.
Câmbio: real se fortalece com carry trade e balança comercial
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,089, com recuo de 0,42%. No acumulado de julho, a moeda americana já cai 1,42% ante o real. Em 2026, a desvalorização chega a 7,28%.
O movimento é sustentado pelo diferencial de juros: a Selic em 0,74% ao mês mantém o Brasil como destino atrativo para operações de carry trade. Some-se a isso o superávit da balança comercial, que registrou US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com exportações crescendo 6,7% no acumulado do mês, impulsionadas pela indústria extrativa.
No front inflacionário, o mercado reduziu a expectativa de inflação para 5,15% em 2026. O IPCA do mês corrente está em 0,16%, enquanto o CDI acompanha a Selic em 0,74%.
Desempenho dos ativos
| Ativo | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Dólar Comercial | R$ 5,089 | -0,42% |
| Ibovespa | 173.371,35 pts | -0,20% |
| Petróleo Brent | US$ 89,22 | +1,27% |
| Petróleo WTI | US$ 82,48 | +0,85% |
| PETR4 | R$ 41,65 | +1,22% |
| VALE3 | R$ 72,30 | +0,51% |
Ibovespa: Petrobras sobe, mas não compensa peso das mineradoras
O Ibovespa fechou em baixa de 0,20%, aos 173.371,35 pontos, na quarta sessão consecutiva de perdas. As ações da Petrobras (PETR4) subiram 1,22%, a R$ 41,65, com volume de 34.239.300 negociações, impulsionadas pela alta do petróleo no mercado internacional. A Vale (VALE3) também registrou leve alta de 0,51%, a R$ 72,30, com 10.625.000 negociações.
Apesar do desempenho positivo de PETR4 e VALE3, o índice foi pressionado pelo recuo de outras mineradoras e pela cautela generalizada com o cenário geopolítico. A alta das ações da Petrobras não foi suficiente para compensar a queda do setor de mineração como um todo.
Petróleo sobe com tensões entre EUA e Irã
O petróleo Brent avançou 1,27%, a US$ 89,22 o barril, enquanto o WTI subiu 0,85%, a US$ 82,48. A alta reflete o acirramento das tensões no Oriente Médio, com foco no Estreito de Ormuz e nas ameaças dos houthis à navegação na região.
Mediadores internacionais apresentaram propostas para reduzir as tensões entre Estados Unidos e Irã, mas o discurso mais duro de Donald Trump contra Teerã elevou a cautela nos mercados. O risco de interrupções no fornecimento de petróleo segue como fator de sustentação dos preços da commodity.
O que esperar na abertura?
O cenário para os próximos dias segue dicotômico. De um lado, o real encontra suporte no carry trade e no fluxo comercial positivo, o que pode manter o dólar pressionado no curto prazo. De outro, o Ibovespa permanece vulnerável à aversão ao risco geopolítico e ao desempenho das mineradoras. A trajetória do petróleo e os desdobramentos das negociações entre EUA e Irã serão determinantes para o humor do mercado na abertura da próxima sessão.
Foto: Unsplash (Licença Comercial)















