O crítico de longa data do Bitcoin, Peter Schiff, voltou a atacar a estratégia corporativa da MicroStrategy (NASDAQ:MSTR) ao afirmar que Michael Saylor, fundador e chairman da empresa, “destruiu” 66% do chamado Bitcoin Yield — métrica proprietária criada pela própria companhia para medir o retorno percentual de sua posição em Bitcoin em relação às ações diluídas em circulação. A declaração reacende o debate sobre os custos reais da estratégia de tesouraria em Bitcoin para os acionistas.
O argumento de Schiff sobre a diluição
Peter Schiff argumenta que o Bitcoin Yield divulgado pela MicroStrategy ignora o efeito corrosivo da diluição de ações sobre o retorno real dos acionistas. Segundo o crítico, ao emitir novas ações para financiar a compra de Bitcoin, a empresa infla artificialmente a métrica ao mesmo tempo que reduz a participação proporcional de cada acionista no saldo de Bitcoin da companhia.
A métrica Bitcoin Yield foi introduzida pela MicroStrategy em 2020 como um indicador de desempenho não-GAAP. Ela mede a variação percentual entre a quantidade de Bitcoin detida por ação diluída em dois períodos distintos. Schiff sustenta que, ao desconsiderar a diluição acumulada, a métrica superestima o retorno real para o investidor.
Os fundamentos financeiros da MSTR
Os dados financeiros da MicroStrategy revelam desafios estruturais que vão além do debate sobre o Bitcoin Yield. A empresa apresenta Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) negativo de -26,42% e Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) negativo de -0,03%, indicando que a companhia não está gerando lucro sobre o capital dos acionistas nem sobre o capital total investido.
A relação Preço/Valor Patrimonial (P/B) de 0,71 sugere que o mercado precifica a empresa abaixo do valor contábil de seus ativos líquidos. Já o beta de 5 anos de 3,5127 indica que a ação da MSTR é aproximadamente 3,5 vezes mais volátil que o mercado como um todo, expondo os acionistas a oscilações amplificadas tanto nas altas quanto nas quedas.
O cenário do Bitcoin no mercado
No momento da análise, o Bitcoin (BTCUSDT) era negociado a US$ 64.845,87 na Binance, com leve alta de 0,23% nas últimas 24 horas. O volume negociado no período foi de US$ 950,5 milhões, demonstrando liquidez robusta no par contra o dólar americano.
Entretanto, o livro de ofertas da Binance para BTCUSDT revela uma pressão vendedora dominante de 86,7%, indicando que a oferta por parte dos vendedores supera significativamente a demanda dos compradores no curto prazo. Esse desequilíbrio pode sinalizar resistência para movimentos de alta imediatos, mesmo com a cotação apresentando variação positiva no dia.
O que está em jogo para os acionistas
A crítica de Schiff expõe uma tensão central na tese de investimento da MicroStrategy: a empresa se posiciona como um veículo corporativo de exposição ao Bitcoin, mas o faz por meio de emissões constantes de ações e dívida conversível. Para os acionistas, o custo dessa estratégia se materializa na diluição progressiva de sua participação no balanço de Bitcoin da companhia.
Enquanto a métrica Bitcoin Yield pode indicar crescimento na quantidade de Bitcoin por ação diluída, os indicadores fundamentais negativos — ROE de -26,42% e ROIC de -0,03% — sugerem que a operação principal da empresa (software de inteligência de negócios) não gera retorno sobre o capital. A tese de ‘Tesouro em Bitcoin’ defendida por Saylor, portanto, carrega custos de diluição e volatilidade que precisam ser precificados pelos investidores.















