Alckmin defende Lei da Reciprocidade como correção, não retaliação; tarifaço dos EUA atinge US$ 7,4 bi em exportações

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta semana que a Lei da Reciprocidade — aprovada por unanimidade no Congresso Nacional no ano passado — não configura retaliação, mas sim um instrumento para corrigir uma situação que o governo brasileiro considera injusta. A declaração ocorre em meio à imposição de tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5% a ser definido já na próxima sexta-feira.

A sobretaxa atinge cerca de 18% das exportações brasileiras ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Os setores mais expostos incluem eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças, calçados e outros produtos industriais.

Estratégia em três eixos: crédito, diversificação e diálogo

O governo estruturou a resposta ao tarifaço em três frentes complementares. A primeira é o apoio financeiro às empresas afetadas, por meio do programa Brasil Soberano, que deve oferecer crédito para capital de giro e investimentos. A segunda é a diversificação de mercados, com a ApexBrasil intensificando a busca por novos parceiros comerciais. A terceira é o diálogo permanente com os setores produtivos.

Na frente de diversificação, os alvos prioritários são Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático. Está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais para fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

O governo também avalia flexibilizar temporariamente as regras do regime de drawback, mecanismo que desonera tributos sobre insumos importados utilizados na produção de bens destinados à exportação.

Cronograma das tarifas americanas

  1. Próxima sexta-feira: definição dos EUA sobre aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa, o que elevaria a sobretaxa total para 37,5%.
  2. 29 de julho: entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias já em trânsito para o mercado americano.

Cenário macroeconômico e colchão fiscal

O tarifaço americano encontra o Brasil em um cenário macroeconômico de Selic elevada, com a mediana do Boletim Focus projetando 14,0% a.a. para 2026. O câmbio é estimado em R$ 5,2/US$ e o IPCA em 5,15% a.a. para o mesmo período.

O ponto de resiliência está na balança comercial: a mediana Focus projeta superávit de US$ 76,2 bilhões para 2026, o que confere ao país um colchão fiscal relevante para absorver choques comerciais de curto prazo. O PIB, por sua vez, tem crescimento mediano estimado em 1,99% para 2026.

A diversificação de mercados — incluindo acordos Mercosul-União Europeia e EFTA — é a estratégia de longo prazo para reduzir a dependência histórica do mercado americano, enquanto o pacote de crédito via Brasil Soberano e a flexibilização do drawback operam como medidas emergenciais.

📊 Raio-X Quantitativo & Indicadores de Risco

Projeções macroeconômicas (mediana Focus 2026) e exposição comercial brasileira:

Exportações atingidas pela tarifa de 25%US$ 7,4 bilhões
Percentual das exportações ao mercado americano~18%
Superávit da balança comercial (projeção 2026)US$ 76,2 bilhões
Selic mediana Focus 202614,0% a.a.
Câmbio mediano Focus 2026R$ 5,2/US$
IPCA mediano Focus 20265,15% a.a.
PIB (crescimento mediano Focus 2026)1,99%

Fonte: Boletim Focus, governo federal. Dados atualizados até a data de publicação.

Foto: Unsplash (Licença Comercial)

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