UBS vê espaço para novo corte da Selic em setembro; Focus projeta taxa a 13,75% no ano

UBS vê espaço para novo corte da Selic em setembro; Focus projeta taxa a 13,75% no ano

A economista-chefe do UBS Brasil, Solange Srour, afirmou que o cenário econômico teria de se deteriorar de forma significativa para que o Banco Central interrompa o ciclo de cortes da Selic na próxima reunião do Copom em setembro. A declaração ocorre em um contexto de inflação controlada no curto prazo e expectativas do mercado alinhadas com a continuidade do afrouxamento monetário.

O cenário para setembro

Com a Selic meta anual em 14,0% a.a., o mercado já precifica um novo corte na reunião de setembro do Copom. Segundo Solange Srour, seria necessária uma piora substancial no quadro macroeconômico para que o BC mude de rota e mantenha a taxa inalterada.

A economista não especificou a magnitude esperada para o corte, mas a sinalização do UBS reforça a tese de que o Copom deve dar continuidade ao ciclo de afrouxamento iniciado nas reuniões anteriores. O comunicado do Banco Central nas últimas decisões já indicava espaço para novos ajustes na taxa básica de juros.

Focus projeta Selic em 13,75% para 2026

O Boletim Focus de julho de 2026, que reúne as projeções do mercado financeiro, aponta mediana de 13,75% a.a. para a Selic ao final de 2026. Esse número representa uma queda de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual de 14,0% a.a., indicando que o mercado espera ao menos um corte de 0,25 p.p. no horizonte projetado.

A mediana das projeções para o IPCA em 2026 está em 5,03% a.a., acima da meta de inflação, mas ainda dentro de um intervalo que permite ao BC manter a trajetória de cortes sem comprometer a credibilidade da política monetária.

Inflação corrente abre espaço para afrouxamento

O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94%, bem abaixo da meta de inflação. Esse dado de inflação corrente confortável é um dos principais argumentos a favor da continuidade do ciclo de cortes, pois reduz a pressão sobre o Banco Central para manter a Selic em patamar elevado.

Apesar da inflação corrente baixa, as projeções futuras do Focus indicam que o mercado espera uma aceleração dos preços ao longo do ano, com o IPCA projetado para 2026 em 5,03% a.a. Esse descolamento entre inflação realizada e projetada é um ponto de atenção para o Copom nas próximas decisões.

O que pode interromper o ciclo

Solange Srour estabeleceu um piso de pessimismo necessário para que o BC interrompa os cortes: uma deterioração significativa no cenário macroeconômico. Entre os fatores que poderiam motivar essa mudança de rota estão:

A declaração da economista-chefe do UBS sugere que, no cenário base do banco, as condições atuais são favoráveis à continuidade do afrouxamento, mas o Copom deve monitorar de perto a evolução das expectativas de inflação e o cenário externo.

  • Choques inflacionários relevantes, como alta expressiva de commodities ou desvalorização cambial acentuada
  • Piora nas expectativas de inflação de médio prazo, com desancoragem das projeções do Focus
  • Choques externos que afetem o fluxo de capitais e a taxa de câmbio
  • Mudança na trajetória fiscal que eleve o prêmio de risco do país
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