ETFs de Ether somam US$ 1,08 bilhão em saídas em outubro, maior retirada mensal desde 2025

Os ETFs spot de Ether negociados nos Estados Unidos acumulam US$ 1,08 bilhão em saídas líquidas em outubro, até o dia 21, segundo a série diária da SoSoValue. É a maior fuga mensal desde novembro de 2025 e volume suficiente para apagar os US$ 832 milhões que entraram em setembro, deixando o saldo acumulado do ano em US$ 485 milhões. Do outro lado, os ETFs de Bitcoin seguem captando, com US$ 809 milhões em entradas líquidas no ano.

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🏷️ CriptoativosPor Redação Radar Finanças
Publicado em: 21/10/2026 às 06:57 BRT
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📌Fatos em Destaque

  • ETFs spot de Ether somam US$ 1,08 bilhão em saídas líquidas em outubro, maior fuga mensal desde novembro de 2025, e o saldo do ano caiu para US$ 485 milhões.
  • O Ether recuou 9,7% em outubro, de US$ 2.700 para US$ 2.438, e acumula queda de aproximadamente 18% em 2026, segundo a CoinGecko.
  • Os ETFs de Bitcoin captaram US$ 527 milhões na segunda-feira e US$ 23 milhões na terça, mas ainda registram US$ 67 milhões em resgates líquidos no mês.

US$ 1,08 bilhão de saída em outubro apaga as entradas de setembro nos ETFs de Ether

O investidor institucional americano está fechando a porta do Ether e mantendo a do Bitcoin entreaberta. Os ETFs spot de Ether negociados nos Estados Unidos acumulam US$ 1,08 bilhão em saídas líquidas em outubro, até o dia 21, segundo a série diária da SoSoValue. É a maior fuga mensal desde novembro de 2025 e volume suficiente para apagar, com folga, os US$ 832 milhões que entraram em setembro. O saldo acumulado do ano, que parecia confortável no fim do terceiro trimestre, encolheu para US$ 485 milhões em entradas líquidas.

O movimento não dá sinal de trégua. Na terça-feira, 20 de outubro, os veículos de Ether registraram mais US$ 26 milhões em resgates líquidos, conforme a série diária da SoSoValue. O que a indústria costuma chamar de rebalanceamento tático de carteiras aparece, na prática, como uma sequência de resgates que consome meses de captação em poucas semanas. Não é ajuste fino de alocação: é devolução de capital em ritmo acelerado.

A conta é simples e desconfortável. Setembro havia fechado com US$ 832 milhões em entradas líquidas, um alívio para quem vende a tese do Ether como exposição regulada. Outubro chegou, virou o sinal e levou junto não apenas esse saldo, mas também parte do que havia sido acumulado ao longo do ano. O resultado é um acumulado de 2026 reduzido a US$ 485 milhões, número modesto para uma família de produtos que nasceu prometendo ser a ponte entre o investidor tradicional e a segunda maior criptomoeda do mercado.

Ether cai 9,7% em outubro, de US$ 2.700 para US$ 2.438, e acumula 18% de queda em 2026

A pressão sobre os fluxos caminha junto com o preço. O Ether caiu 9,7% em outubro, de US$ 2.700 para US$ 2.438, e acumula queda de aproximadamente 18% em 2026, segundo dados da CoinGecko. A mecânica do produto amplifica o efeito: quando o cotista resgata, o participante autorizado precisa entregar as cotas e desmontar a posição em Ether à vista. Preço em queda reduz o patrimônio sob gestão, e patrimônio menor significa receita de taxa menor para quem emite o fundo.

Vale separar o que é fato do que é narrativa. O dado confirmado é a coincidência entre resgates e desvalorização no mesmo intervalo. A hipótese de que os resgates lideram a queda, e não o contrário, não está comprovada pelos números disponíveis. O que se pode afirmar com segurança é que o ciclo se retroalimenta: cada dia de preço fraco torna o produto menos atraente para quem entrou pensando em tendência, e cada resgate adiciona oferta ao mercado à vista.

Bitcoin capta US$ 527 milhões na segunda-feira e mantém US$ 809 milhões no ano

Do outro lado do corredor, o Bitcoin segue captando. Os ETFs spot de BTC registraram US$ 23 milhões em entradas líquidas na terça-feira e US$ 527 milhões na segunda-feira, segundo a SoSoValue. No acumulado de outubro, porém, o saldo ainda é negativo em US$ 67 milhões, e as entradas do ano somam cerca de US$ 809 milhões.

A leitura cética é direta: o Bitcoin não está imune ao humor do mercado, apenas menos exposto a ele. A diferença de escala entre US$ 809 milhões de captação anual em Bitcoin e US$ 485 milhões em Ether é o retrato de uma preferência institucional que se consolidou ao longo de 2026. Em um ambiente de aversão ao risco em criptoativos, o capital não desaparece, ele se concentra. E, por ora, concentra-se no ativo que a indústria conseguiu transformar em reserva de valor de portfólio, não no que ainda depende de uma narrativa de utilidade em construção.

A conta das gestoras diante do êxodo do Ether

Quem sente no caixa são as gestoras que apostaram na versão regulada do Ether. A matemática do negócio de ETFs é impiedosa: a taxa de administração incide sobre o patrimônio, e o patrimônio encolhe duas vezes quando o preço cai e as cotas são resgatadas. O investidor sai pela porta da frente e leva junto a receita recorrente.

Não há, nos dados disponíveis, evidência de que esse movimento seja uma debandada definitiva. Também não há evidência de que seja apenas ruído. O que existe é uma sequência de resgates diários que já dura semanas e um preço que não encontra piso. Para as gestoras, o desafio é de comunicação e de produto: explicar por que o Ether merece espaço na carteira institucional enquanto o próprio fluxo do fundo diz o contrário.

O que monitorar: fluxos diários da SoSoValue e o teste entre realocação tática e abandono estrutural

O teste dos próximos dias é simples de enunciar e difícil de responder. Os resgates de Ether são realocação tática para Bitcoin ou abandono estrutural da tese? A resposta aparece na série diária da SoSoValue, no comportamento de cada emissor e na capacidade do ETH de sustentar o patamar de US$ 2.438. Se o fluxo migrar para os fundos de Bitcoin de forma consistente, a tese da realocação ganha força. Se o capital simplesmente sair do complexo de ETFs cripto, o diagnóstico é outro.

Vale acompanhar também se a cautela generalizada, evidenciada pela desaceleração das entradas de Bitcoin, se converte em saída líquida no consolidado do mês. Outubro ainda tem pregões pela frente, e o acumulado de US$ 67 milhões em resgates de BTC está longe de ser uma margem confortável. Para o investidor brasileiro, o recado é de método: fluxo de ETF é termômetro de apetite institucional, não bússola de preço. E termômetro, como se sabe, costuma medir a febre depois que ela já se instalou.

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