Uma ponte fraudulenta captou 767,65 ETH de 1.335 endereços ao se passar pela rede GIWA, da Dunamu, operadora da Upbit, que ainda opera apenas em testnet. Os golpistas drenaram 766,25 ETH, algo próximo de US$ 2 milhões, e a DEX DYORSWAP, que confundiu a ponte falsa com a oficial, reembolsou os afetados com mais de 200 ETH de recursos próprios.
📌Fatos em Destaque
- A ponte fraudulenta recebeu 767,65 ETH de 1.335 endereços e os golpistas drenaram 766,25 ETH, com valor estimado em cerca de US$ 2 milhões.
- A DYORSWAP compensou os usuários afetados com mais de 200 ETH de recursos próprios, assumindo um prejuízo que não era originalmente seu.
- A GIWA, ligada à Dunamu e à Upbit, afirma que sua mainnet ainda não foi lançada e que a rede segue em fase de testnet desde setembro de 2025.
A ponte falsa que captou 767 ETH de 1.335 endereços
Toda promessa de lançamento iminente é um convite para quem vive de explorar a pressa alheia. Foi exatamente isso que aconteceu com a GIWA, a blockchain do grupo sul-coreano Dunamu, dona da exchange Upbit: golpistas ergueram uma ponte falsa em nome de uma rede que ainda nem existe em produção e drenaram cerca de 766 ETH, algo próximo de US$ 2 milhões, de 1.335 endereços. A ironia é que a vítima mais visível não foi a Dunamu, mas a DYORSWAP, uma DEX que confundiu a ponte fraudulenta com a oficial e agora paga a conta com o próprio caixa. Em um mercado que adora a narrativa do próximo grande lançamento, o episódio serve como lembrete sóbrio: a expectativa, quando não verificada, é matéria-prima de golpe.
O golpe seguiu o roteiro clássico da engenharia social aplicada a cripto: uma interface que imita a de um projeto legítimo, um nome que soa oficial e a promessa implícita de acesso antecipado a uma rede ainda não lançada. A ponte fraudulenta, apresentada como a via de entrada para a blockchain GIWA, recebeu aproximadamente 767,65 ETH provenientes de 1.335 endereços distintos. Do total captado, os criminosos drenaram 766,25 ETH, deixando um resíduo irrisório para trás.
O número de carteiras envolvidas, mais de 1.300, indica que não se tratou de um ataque cirúrgico a um único alvo de grande porte, mas de uma operação de captação pulverizada. Esse desenho é típico de esquemas que dependem de volume e de credibilidade emprestada: quanto mais usuários acreditam estar interagindo com uma infraestrutura oficial, maior a sensação de legitimidade que se retroalimenta. O valor estimado em US$ 2 milhões, vale registrar, é uma aproximação, e não há confirmação independente do montante exato em dólares no momento do roubo.
DYORSWAP assume o prejuízo e devolve mais de 200 ETH do próprio caixa
O ponto mais curioso do episódio não está no roubo, mas em quem decidiu pagar por ele. A DYORSWAP, exchange descentralizada que confundiu a ponte falsa com a oficial, anunciou a compensação dos usuários afetados com mais de 200 ETH retirados de seus próprios fundos. Em um setor onde o reflexo padrão costuma ser o de transferir a responsabilidade para o usuário final, o gesto é raro e, por isso mesmo, revelador.
A decisão levanta uma pergunta incômoda sobre os incentivos econômicos por trás de listagens e integrações apressadas. Ao absorver o prejuízo, a DEX sinaliza que reconhece algum grau de falha em seu processo de verificação, ainda que tenha afirmado que seus contratos não foram comprometidos e que segue rastreando o implantador da ponte, as fontes de financiamento, as carteiras de teste suspeitas e os endereços que receberam os fundos. Para o mercado, o recado é ambíguo: de um lado, reforça a confiança do usuário na plataforma; de outro, expõe a fragilidade de uma due diligence que não distinguiu uma ponte real de uma imitação. A conta de mais de 200 ETH é, na prática, o preço de um controle de qualidade que não foi feito a tempo.
GIWA segue em testnet: o cronograma que virou isca para golpistas
A GIWA não é um projeto obscuro, e é justamente essa a raiz da vulnerabilidade explorada. A Dunamu lançou a testnet Sepolia da GIWA em setembro de 2025, construída sobre o OP Stack da Optimism, e desde então o nome circula com peso crescente no ecossistema asiático. Em abril de 2026, Dunamu, Hana Financial e POSCO International concordaram em testar remessas internacionais baseadas na GIWA Chain, um sinal de ambição que ultrapassa o terreno puramente cripto e alcança pagamentos transfronteiriços.
O problema é que ambição e disponibilidade nem sempre caminham juntas. A GIWA afirmou que sua mainnet ainda não foi lançada e alertou que os supostos dados de conexão que circulavam online eram falsos, o que significa que qualquer ponte apresentada como porta de entrada oficial para a rede operava, na melhor das hipóteses, sobre uma infraestrutura inexistente. É aqui que a narrativa se torna perigosa: quando um projeto acumula anúncios de parceria e promessas de expansão, o mercado passa a precificar a expectativa antes de a tecnologia estar pronta. Os golpistas não inventaram a GIWA, apenas surfaram a onda de antecipação que ela mesma criou.
Due diligence em pontes e o teste de confiança nas L2 asiáticas
O caso expõe uma fragilidade estrutural das pontes cross-chain, historicamente o elo mais atacado do ecossistema DeFi. Pontes concentram liquidez, conectam redes com modelos de segurança distintos e, na maioria das vezes, dependem de contratos que o usuário comum não tem como auditar. Quando um projeto ainda está em testnet, a superfície de ataque aumenta: não há endereço oficial consolidado, não há histórico de transações verificável e o usuário fica dependente de canais de comunicação que podem ser falsificados.
Para além do episódio isolado, o teste é de confiança nas soluções de camada 2 asiáticas, que vêm ganhando espaço com o respaldo de grupos financeiros tradicionais. A GIWA carrega o peso da Dunamu e da Upbit, duas marcas com histórico relevante no mercado coreano, e qualquer ruído em torno de seu nome tem custo reputacional. O que se observa, por ora, é um mercado que ainda trata o lançamento de mainnets como evento de marketing, e não como marco de segurança. Enquanto essa lógica persistir, a distância entre a promessa e a verificação continuará sendo o terreno preferido de quem vive de roubar ETH alheio.
O que monitorar: prazos de mainnet, auditorias e o rastro dos fundos
Os próximos capítulos dependem de três frentes. A primeira é o cronograma oficial da mainnet da GIWA, que segue sem data confirmada e cuja eventual estreia tende a reacender o interesse, para o bem e para o mal, em torno do nome. A segunda é a transparência da DYORSWAP sobre o processo que a levou a integrar uma ponte fraudulenta, incluindo eventuais auditorias e revisões de seus critérios de listagem. A terceira é o rastro on-chain dos 766,25 ETH drenados, cujo destino ainda não foi detalhado publicamente.
Vale acompanhar também se o episódio produzirá efeito regulatório na Coreia do Sul, onde a supervisão sobre ativos digitais vem se adensando, e se a Dunamu emitirá comunicados formais de alerta sobre usos indevidos de sua marca. Por ora, o que resta ao investidor é a lição de sempre: em cripto, a pressa é um custo, e a verificação, um seguro barato. Quem confunde expectativa com infraestrutura acaba financiando, sem querer, o próximo golpe.
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