O recuo da inflação medida pelo IPCA para 1,94% no acumulado de 12 meses recoloca no centro do debate macroeconômico o timing para o início de um ciclo de flexibilização monetária pelo Copom. A Selic meta está fixada em 14,25% ao ano, e o Boletim Focus de julho de 2026 indica expectativa do mercado de que a taxa básica encerre o ano em 13,75% a.a., sugerindo cortes graduais nos próximos meses.
Cenário atual: inflação cedendo, juros ainda elevados
O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 1,94%, nível que contrasta com a Selic mantida em 14,25% ao ano pelo Copom. O dado de inflação corrente, bem abaixo do centro da meta, acende o sinal para a autoridade monetária sobre o custo real da política de juros.
A diferença entre a Selic real (descontada a inflação acumulada) e a taxa neutra estimada pelo mercado é o principal termômetro monitorado por investidores e analistas para antecipar o movimento do Banco Central. Com o IPCA em 1,94%, a Selic real supera 12% ao ano, patamar historicamente restritivo.
Boletim Focus: projeções para 2026
O Boletim Focus de julho de 2026 consolidou as expectativas do mercado para os principais indicadores macroeconômicos do ano. A mediana das projeções aponta para Selic em 13,75% a.a. ao final de 2026, o que representa um corte acumulado de 0,50 ponto percentual em relação ao patamar atual de 14,25% a.a.
Para a inflação, a mediana do IPCA projetado para 2026 é de 5,03% a.a., ainda acima do centro da meta, o que pode limitar a velocidade do afrouxamento monetário. O câmbio esperado é de R$ 5,20/US$, e o PIB deve crescer 1,99% no ano, indicando desaceleração controlada da atividade econômica.
- Selic mediana 2026: 13,75% a.a.
- IPCA mediano 2026: 5,03% a.a.
- Câmbio mediano 2026: R$ 5,20/US$
- PIB mediano 2026: 1,99% de crescimento
- Resultado primário mediano 2026: -0,50% do PIB
- Dívida bruta mediana 2026: 83,3% do PIB
O dilema do Copom entre inflação e expectativas
Apesar do IPCA corrente em patamar baixo (1,94% em 12 meses), as expectativas de inflação para 2026 medidas pelo Focus (5,03%) seguem acima da meta perseguida pelo Banco Central. Esse descolamento entre a inflação realizada e a projetada é o principal argumento para uma abordagem cautelosa no início do ciclo de cortes.
O mercado monitora de perto os comunicados do Copom e as atas das reuniões para identificar sinais sobre a magnitude e o ritmo da flexibilização. O cenário fiscal, com resultado primário negativo projetado em 0,50% do PIB e dívida bruta em 83,3% do PIB, adiciona camada de complexidade à equação monetária.
IGPM em terreno negativo reforça desinflação
O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) acumulado em 12 meses registra variação negativa de 1,16%, corroborando o movimento de desinflação observado no IPCA. O indicador, que reflete preços no atacado e matérias-primas, sinaliza alívio nos custos industriais e de construção civil.
A trajetória descendente dos índices de inflação, combinada com a atividade econômica em desaceleração (PIB projetado em 1,99%), forma o pano de fundo para o debate sobre o afrouxamento monetário no segundo semestre de 2026.














