Inflação em queda abre caminho para Copom cortar Selic a 14%; mercado projeta 13,75% no ano

Inflação em queda abre caminho para Copom cortar Selic a 14%; mercado projeta 13,75% no ano

A trajetória de desaceleração da inflação brasileira abre espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) dar continuidade ao ciclo de cortes na taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano. Com o IPCA acumulado em 12 meses rodando a apenas 1,94% — bem abaixo do centro da meta — o mercado projeta que a autoridade monetária reduza a taxa básica de juros para 14% na próxima reunião. A dúvida que domina o debate macroeconômico é se este será o último corte de 2026 ou se ainda há espaço para novas reduções.

O cenário inflacionário que sustenta o corte

O IPCA de junho de 2026 registrou alta de apenas 0,16%, desacelerando de forma consistente frente aos meses anteriores — maio marcou 0,58% e abril, 0,67%. Essa trajetória de arrefecimento mensal é o principal combustível para a tese de cortes adicionais na Selic.

No acumulado em 12 meses, o IPCA está em 1,94%, patamar significativamente inferior ao centro da meta de inflação. Esse dado reforça a avaliação de que o Copom tem mão livre para prosseguir com a flexibilização monetária sem comprometer o compromisso com o controle inflacionário.

O que o Boletim Focus projeta

O Boletim Focus divulgado em 31 de julho de 2026 já precifica uma Selic mediana de 13,75% ao ano para o fechamento de 2026, sugerindo que o mercado espera ao menos mais uma redução após o corte para 14%. Isso indica que a reunião do Copom pode não ser a última rodada de afrouxamento monetário do ano.

Para a inflação, o Focus projeta IPCA mediano de 5,03% ao ano em 2026, acima do centro da meta, mas ainda dentro de um cenário administrável dado o estágio atual do ciclo de cortes. O câmbio projetado em R$ 5,20/US$ e o PIB esperado de 1,99% de crescimento em 2026 completam o quadro macroeconômico que balizará a decisão do Comitê.

Impacto nos mercados e na renda fixa

O Índice de Mercado ANBIMA (IMA-B) fechou em 9.196,68 pontos, refletindo o ambiente de expectativa que antecede a decisão do Copom. A Bolsa B3, que abre suas negociações às 10h, deve reagir ao cenário de juros mais baixos, que historicamente favorece ativos de risco e setores como consumo e construção civil.

Para o investidor de renda fixa, a perspectiva de Selic a 13,75% ao ano até o fim de 2026 sinaliza a continuidade de retornos reais elevados, embora em trajetória de queda. O CDI mensal de julho de 2026 ficou em 1,22%, acompanhando o ritmo de desaceleração da taxa básica.

O dilema do Copom: último corte ou pausa temporária?

A grande questão que divide analistas é se o corte para 14% será o último do ano ou se o Copom manterá o ritmo de flexibilização. O Focus já projeta 13,75%, o que indica que o mercado aposta em ao menos mais uma redução. No entanto, a projeção de IPCA mediano de 5,03% para 2026 — acima do centro da meta — pode levar o Comitê a adotar uma postura mais cautelosa nas reuniões seguintes.

A desaceleração consistente do IPCA mensal (de 0,67% em abril para 0,16% em junho) é o principal argumento a favor de cortes adicionais. A decisão do Copom será acompanhada de perto pelo mercado, que busca sinais sobre a extensão do ciclo de afrouxamento monetário.

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