KelpDAO processa LayerZero e CEO Bryan Pellegrino por rombo de US$ 292 milhões na ponte rsETH

KelpDAO processa LayerZero e CEO Bryan Pellegrino por rombo de US$ 292 milhões na ponte rsETH

A KelpDAO levou a LayerZero e seu cofundador e CEO, Bryan Pellegrino, à Justiça para cobrar a conta de aproximadamente US$ 292 milhões perdidos na exploração da ponte rsETH no início de 2025. A autora alega que a LayerZero endossou a configuração da ponte e não divulgou riscos de segurança antes do ataque. A defesa, na voz de Pellegrino, trata a acusação como sem mérito e afirma que pretende discutir o caso em Vancouver.

RF
🏷️ CriptoativosPor Redação Radar Finanças
Publicado em: 25/09/2026 às 08:04 BRT
✓ Fatos extraídos de fontes identificadas · Validação automática concluída

📌Fatos em Destaque

  • A KelpDAO processa a LayerZero e o CEO Bryan Pellegrino pela exploração de aproximadamente US$ 292 milhões sofrida pela ponte rsETH no início de 2025.
  • A tese da autora é que a LayerZero endossou por escrito a configuração da ponte e não divulgou riscos de segurança antes do ataque, acusação que Pellegrino classifica como sem mérito.
  • A LayerZero não respondeu aos contatos da imprensa até a publicação, e a jurisdição, as datas de audiência e a comprovação documental independente do endosso seguem em aberto.

A tese da KelpDAO e a resposta da LayerZero

Em DeFi todo mundo assina o manifesto da descentralização, mas na hora de dividir o prejuízo o protocolo procura o primeiro CNPJ disponível. A KelpDAO entrou com um processo contra a LayerZero e contra Bryan Pellegrino, cofundador e CEO da empresa, para cobrar a fatura de aproximadamente US$ 292 milhões perdidos na exploração da ponte rsETH no início de 2025. A tese é direta: a LayerZero não divulgou riscos de segurança e teria endossado a configuração da ponte antes do ataque. A resposta veio no mesmo tom de sempre, com Pellegrino classificando a acusação como ‘sem mérito’ e avisando que pretende defender o caso em Vancouver. É a versão cripto do clássico corporativo: o problema nunca é o projeto, é o vizinho de stack.

A KelpDAO afirmou na sexta-feira que a LayerZero não divulgou os riscos de sua tecnologia nem impediu que invasores comprometessem sua infraestrutura. Também alegou que a LayerZero havia analisado e endossado por escrito sua implementação e configuração antes da exploração. ‘Nossa prioridade número um sempre foi e continuará sendo a segurança dos ativos de nossos usuários’, escreveu a Kelp. ‘Mas também precisamos corrigir o registro dos fatos e responsabilizar a LayerZero e o sr. Pellegrino pelos danos que causaram a nós e ao ecossistema mais amplo de DeFi.’

O endosso contestado que antecede o exploit

O que a KelpDAO sustenta em juízo é que a perda não nasceu de um descuido isolado do próprio protocolo, mas de uma arquitetura validada por terceiros. Segundo a acusação, a LayerZero teria endossado a configuração da ponte rsETH e, ao mesmo tempo, deixado de comunicar aos parceiros os riscos de segurança associados àquele desenho. Quando a exploração de aproximadamente US$ 292 milhões se materializou, no início de 2025, a conta já estava distribuída em algum lugar entre quem escreveu o código e quem chancelou a estrutura.

A disputa, portanto, não é sobre a existência do ataque, e sim sobre a titularidade da negligência. A KelpDAO quer que a responsabilidade saia do balcão do desenvolvedor de aplicação e suba um nível na cadeia de infraestrutura. A LayerZero, por sua vez, prefere manter o debate no terreno técnico, onde a fronteira entre recomendação, suporte e endosso formal costuma ser conveniente e elástica.

Vale registrar o que ainda não existe publicamente: detalhes de jurisdição, datas de audiência e comprovação documental independente de que o endosso da configuração tenha ocorrido por escrito. A própria existência desse documento é, por ora, alegação da autora. Sem o papel juntado aos autos, a briga tende a virar um duelo de narrativas sobre o que foi dito em canais de suporte, reuniões técnicas e mensagens privadas.

Por que a ponte rsETH concentrou o risco em um único elo da corrente

Pontes cross-chain são, por construção, o ponto de maior concentração de confiança em qualquer arquitetura multichain. Para levar um ativo de uma rede a outra, o sistema trava colateral de um lado e emite uma representação do outro, o que transforma verificadores, oráculos e configurações de segurança em alvos de altíssimo valor. Não por acaso, o próprio setor reconhece as pontes como um dos segmentos mais críticos e mais visados por ataques dentro do ecossistema DeFi.

No caso do rsETH, token de restaking líquido que circula por múltiplas redes, essa característica se amplifica: quanto mais redes a representação alcança, maior a superfície exposta e mais difícil fica atribuir a falha a um único agente. É exatamente esse emaranhado que a judicialização agora tenta organizar em uma linha de responsabilidade minimamente legível para um juiz.

A ironia é estrutural. Um mercado que vendeu a promessa de dispensar intermediários construiu seu elo mais caro justamente na infraestrutura de intermediação entre redes. Quando a ponte quebra, a descentralização desaparece do discurso e reaparece a velha pergunta de qualquer cadeia produtiva: quem assina o laudo de conformidade e quem paga a indenização.

Responsabilidade civil em código aberto: o precedente que a Faria Lima cripto observa

O processo interessa muito além das duas partes envolvidas porque testa um limite que o setor vinha empurrando com o pé. Contratos inteligentes são públicos, auditáveis e, no papel, sem dono. Na prática, alguém decide configurações, aprova parâmetros e recomenda padrões de segurança, e é aí que a responsabilidade civil encontra terreno. Se a Justiça aceitar que um provedor de infraestrutura responda por endosso técnico, o custo de operar pontes e camadas de mensageria sobe para todo o mercado.

O precedente também mexe com a economia da confiança. Hoje, parte relevante da segurança em DeFi é vendida como serviço e embalada em auditorias, relatórios e integrações recomendadas. Se essas recomendações passarem a carregar risco jurídico, o incentivo muda: menos endosso público, mais contratos de isenção de responsabilidade e, provavelmente, mais seguro e mais capital exigido de quem opera infraestrutura crítica.

As versões das partes seguem inconciliáveis. A KelpDAO fala em omissão de riscos e validação prévia da configuração. A LayerZero, na voz de seu CEO, fala em processo sem mérito. É o retrato de um setor que ainda não decidiu se quer ser tratado como software ou como serviço financeiro regulado, e que agora terá de escolher sob a pressão de uma decisão judicial.

Vancouver, o silêncio da LayerZero e os documentos a acompanhar

O único endereço geográfico colocado na mesa até agora é Vancouver, mencionada por Pellegrino como o foro onde pretende defender o caso. Isso não confirma oficialmente a jurisdição da ação, e sim a expectativa declarada do executivo, o que mantém em aberto questões relevantes sobre competência, lei aplicável e executabilidade de uma eventual condenação entre entidades cripto com operação distribuída.

A LayerZero não respondeu aos contatos da Cointelegraph até a publicação, o que é coerente com a estratégia de não alimentar o processo no noticiário. A partir daqui, os pontos a monitorar são objetivos: a formalização do pedido e sua quantificação exata, eventuais manifestações da defesa, a produção de provas sobre o alegado endosso da configuração e a resposta de seguradoras, auditores e demais protocolos que hoje dependem de mensageria cross-chain para operar.

Aviso Legal & Transparência: Este conteúdo possui caráter meramente informativo e jornalístico, não constituindo análise, recomendação de investimento ou indicação de compra e venda de ativos. As decisões financeiras devem ser tomadas com base em seu próprio perfil de risco e com suporte de especialistas certificados.
RF
Redação Radar Finanças
Inteligência de mercado de capitais, macroeconomia e acompanhamento de divulgações oficiais da CVM, Bacen e B3. Conheça nossa política editorial e nosso expediente.