Copom inicia 5ª reunião de 2026 com Selic em 14,25%; mercado projeta novo corte e inflação em 5,03%

Copom inicia 5ª reunião de 2026 com Selic em 14,25%; mercado projeta novo corte e inflação em 5,03%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (4 de agosto) a quinta reunião de 2026 para definir a taxa básica de juros. A decisão será anunciada na noite de quarta-feira (5), em um cenário de inflação projetada em desaceleração, mas ainda acima do teto da meta. A Selic está atualmente em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual nas reuniões de março, abril e junho.

O que o mercado espera da decisão

O Boletim Focus divulgado em 3 de agosto de 2026 trouxe a mediana das projeções para a Selic ao fim de 2026 em 13,75% ao ano, ante 14% na semana anterior — a primeira redução na expectativa desde março. O movimento indica que o mercado financeiro precifica ao menos mais um ou dois cortes de 0,25 p.p. até dezembro.

A taxa básica de juros passou por três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual nas reuniões de março, abril e junho de 2026, saindo de 15% para os atuais 14,25% ao ano. A decisão desta semana testará o ritmo do afrouxamento monetário em meio à resiliência inflacionária.

Inflação ainda pressionada

Pela quinta semana consecutiva, os analistas consultados pelo BC reduziram a projeção para o IPCA de 2026, de 5,12% para 5,03% ao ano. Apesar da trajetória de queda, o indicador permanece acima do teto da meta de inflação de 4,5% — limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 p.p. em torno do centro da meta de 3%.

O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94%, e a variação mensal de junho foi de apenas 0,16%, sugerindo descompressão de curto prazo nos preços. O sistema de meta contínua está em vigor desde janeiro de 2025.

Cenário macroeconômico completo

O pano de fundo da reunião inclui projeções do mercado para câmbio e atividade econômica. O Boletim Focus aponta o dólar projetado a R$ 5,20 para o fim de 2026, enquanto o PIB deve crescer 1,99% no ano.

O CDI mensal de julho de 2026 ficou em 1,22%, refletindo o patamar ainda elevado dos juros básicos. A combinação de inflação acima da meta, atividade moderada e câmbio estável compõe o dilema do Copom entre acelerar ou manter o ritmo de cortes.

Próximos passos

A decisão do Copom será divulgada na quarta-feira (5 de agosto), após o fechamento dos mercados. O comunicado que acompanha o anúncio deverá trazer sinais sobre a trajetória futura da política monetária, especialmente se o comitê manterá o ritmo de cortes de 0,25 p.p. ou sinalizará aceleração no afrouxamento.

O mercado acompanhará de perto a avaliação do colegiado sobre as expectativas de inflação e o hiato do produto, fatores que podem determinar a velocidade da queda da Selic nos próximos meses.

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