O dólar registrou queda de quase 1% ante o real nesta quinta-feira (30), impulsionado pela combinação da decisão de juros do Federal Reserve (Fed) e pela divulgação de dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos. Com a Bolsa brasileira (B3) fechada no momento da análise, o mercado deve precificar o movimento na abertura do pregão de sexta-feira (31).
O que motivou a queda do dólar
O recuo da moeda americana reflete a reação do mercado à decisão monetária do Federal Reserve e aos indicadores do mercado de trabalho norte-americano divulgados nesta semana. Dados de emprego mais fracos que o esperado reforçam as expectativas de que o Fed possa iniciar um ciclo de afrouxamento monetário ainda neste semestre.
A perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos reduz a atratividade do dólar frente a moedas emergentes, como o real brasileiro. O movimento cambial ocorre em linha com o desempenho de divisas de países similares no mercado internacional.
Cenário doméstico e diferencial de juros
No Brasil, a taxa Selic meta está em 14,25% ao ano, mantendo o diferencial de juros elevado em relação aos Estados Unidos. Esse spread contribui para a atratividade do real e ajuda a explicar o movimento de apreciação cambial observado.
O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94% ao ano, abaixo da meta de inflação, o que dá margem para o Banco Central manter a política monetária contracionista sem pressões adicionais de preços no curto prazo.
Projeções do Boletim Focus
O Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com instituições financeiras, projeta o câmbio mediano em R$ 5,20 por dólar para o fechamento de 2026. Para a Selic, a mediana das expectativas aponta para 14,00% ao ano no mesmo período.
As projeções indicam que o mercado espera uma leve acomodação da taxa básica de juros ao longo do próximo ano, mantendo ainda assim um diferencial favorável ao real frente ao dólar.
Próximos passos do mercado
Com a B3 fechada no after hours, os investidores brasileiros devem precificar o movimento cambial apenas na abertura do pregão de sexta-feira (31), a partir das 10h (horário de Brasília).
A atenção do mercado segue voltada para os próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos e para as comunicações oficiais do Federal Reserve, que podem sinalizar o ritmo e a intensidade do esperado afrouxamento monetário.















