O mercado de criptomoedas opera em queda nesta terça-feira (28), pressionado por preocupações com aperto monetário global. O Bitcoin (BTC) recua 1,95% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 63.481,99 na Binance, enquanto o Ethereum (ETH) perde 2,15%, negociado a US$ 1.892,14. A análise do livro de ofertas, no entanto, revela dinâmicas opostas entre os dois principais ativos digitais: o BTC apresenta forte pressão compradora, enquanto o ETH sofre com dominância de ordens de venda.
Bitcoin: queda com compradores na defensiva
O Bitcoin registrou volume de negociação de US$ 906,5 milhões em 24h, com máxima de US$ 65.090,00 e mínima de US$ 62.742,47 no período. Apesar do recuo de 1,95%, o livro de ofertas da Binance indica que 66,9% das ordens são de compra contra 33,1% de venda, sugerindo que investidores estão aproveitando a queda para acumular posições.
A assimetria no fluxo de ordens do BTC contrasta com o movimento de baixa do preço, indicando que a pressão vendedora realizada pode ter vindo de grandes ordens pontuais, enquanto o mercado de varejo e médios investidores mantém viés comprador. Esse comportamento é típico de correções dentro de tendências de alta, mas o cenário macro ainda impõe cautela.
Ethereum: pressão vendedora domina o livro
O Ethereum apresenta quadro oposto ao do Bitcoin. Com volume de US$ 562,2 milhões em 24h, o ativo oscilou entre máxima de US$ 1.955,41 e mínima de US$ 1.856,88. O livro de ofertas revela que 82,9% das ordens são de venda, contra apenas 17,1% de compra, indicando realização mais agressiva por parte dos investidores.
A dominância vendedora no ETH sugere que o mercado está menos disposto a comprar a queda neste momento, possivelmente refletindo maior sensibilidade do ativo ao cenário de juros elevados. O Ethereum, por ser a base do ecossistema DeFi e de aplicações descentralizadas, tende a sofrer mais com a aversão a risco em ativos voláteis.
Contexto macro pressiona ativos de risco
O movimento de baixa nas criptomoedas ocorre em meio a temores de alta de juros por bancos centrais ao redor do mundo. No Brasil, a Selic meta está em 14,25% ao ano, e o Boletim Focus de 24 de julho de 2026 aponta mediana de 14,0% para o fechamento do ano. O IPCA acumulado em 12 meses está em 1,94%, bem abaixo da meta, o que pode sinalizar espaço para cortes futuros, mas o mercado ainda precifica aperto monetário no curto prazo.
Globalmente, a perspectiva de juros mais altos reduz o apetite por ativos de risco, como criptomoedas, que competem com renda fixa e títulos públicos pelo capital dos investidores. Enquanto o BTC mostra resiliência no fluxo de ordens, o ETH enfrenta pressão vendedora mais intensa, e o desfecho do movimento dependerá dos próximos sinais de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.















