O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu com o presidente chinês Xi Jinping, por telefone, os termos de um possível acordo comercial entre a China e o Mercosul. A conversa ocorre em meio à escalada da guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs novas barreiras comerciais a parceiros globais nas últimas semanas.
Segundo informações oficiais, o governo chinês manifestou apoio ao Brasil “na defesa de sua soberania e independência” e “na oposição à interferência externa” — sinalização direta de alinhamento geopolítico contra a pressão tarifária americana. A declaração de Pequim reforça o movimento de reaproximação estratégica entre os dois países em um momento de reconfiguração das rotas de comércio exterior.
Contexto da reaproximação Brasil-China
O telefonema entre Lula e Xi Jinping ocorre em um cenário de acirramento das tensões comerciais globais. O tarifaço de Trump, anunciado no início de julho, elevou tarifas de importação sobre produtos chineses e de outras economias emergentes, gerando incertezas sobre o fluxo de comércio internacional.
O movimento de Pequim em direção ao Mercosul não é isolado. A China já é o principal parceiro comercial do Brasil há mais de uma década, com correntes de comércio que superam US$ 150 bilhões anuais. Um acordo formal com o bloco sul-americano reduziria a dependência brasileira do mercado norte-americano e abriria novas frentes de exportação para os países do bloco.
O que está em jogo
As negociações entre China e Mercosul não são inéditas, mas ganharam novo impulso com o agravamento das tarifas americanas. Entre os pontos sensíveis da pauta estão:
- Barreiras tarifárias e não tarifárias: a China busca reduzir tarifas de importação de produtos agrícolas e minerais do Mercosul, enquanto o bloco demanda acesso facilitado para manufaturados e serviços.
- Alinhamento político: o apoio explícito de Pequim à “soberania” brasileira sinaliza que o acordo transcende o campo comercial e entra na esfera da aliança estratégica entre os dois países.
- Impacto sobre o comércio com os EUA: um acordo China-Mercosul pode redirecionar parte das exportações brasileiras que hoje têm os Estados Unidos como destino principal, alterando a balança comercial da região.
Até o momento, não há detalhes sobre prazos ou cláusulas específicas do acordo em discussão. A expectativa é que novas rodadas de negociação ocorram nas próximas semanas, com possível anúncio durante a próxima cúpula do Mercosul.















