Durigan atribui inflação à guerra no Irã e minimiza impacto dos gastos públicos

Durigan atribui inflação à guerra no Irã e minimiza impacto dos gastos públicos

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a alta da inflação no Brasil está associada ao conflito geopolítico com o Irã, minimizando o impacto dos gastos públicos sobre a trajetória dos preços. A declaração ocorre em meio a um cenário de IPCA acumulado em 12 meses de 1,94% e projeção mediana da Selic em 14% ao ano, segundo o Boletim Focus.

A fala de Durigan desloca o centro do debate inflacionário para o front externo, em um momento em que o mercado monitora de perto os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre cadeias globais de suprimento e preços de commodities energéticas.

Contexto da declaração

Segundo Durigan, a pressão inflacionária observada nos últimos meses decorre, em grande medida, do agravamento do conflito entre Israel e Irã, e não de uma expansão descontrolada das despesas do governo federal. A declaração contrasta com a avaliação predominante entre agentes financeiros, que apontam o crescimento das despesas primárias e a rigidez fiscal como fatores centrais para a manutenção de juros elevados no país.

O secretário-executivo relativizou o peso fiscal doméstico sobre a inflação, sinalizando que a equipe econômica não vê necessidade de um ajuste fiscal mais profundo no curto prazo.

Cenário macroeconômico

O debate ocorre em um ambiente de aperto monetário. A mediana das projeções do Boletim Focus para a Selic ao final de 2026 está em 14% ao ano, patamar que reflete a preocupação do mercado com a trajetória da dívida pública e a credibilidade do arcabouço fiscal. O IPCA acumulado em 12 meses, de 1,94%, ainda se mantém dentro da banda da meta, mas a composição do índice e as expectativas futuras são alvo de atenção constante do Banco Central.

A guerra no Irã adiciona uma camada de incerteza externa que, na visão do governo, justifica parte da alta de preços observada. O impacto direto ocorre principalmente por meio do custo de combustíveis e fretes internacionais, que pressionam componentes do IPCA como transportes e alimentos industrializados.

Até o momento, o Ministério da Fazenda não detalhou medidas específicas para mitigar os efeitos do conflito geopolítico sobre a inflação doméstica.

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