Lucro combinado de Exxon, Shell, BP, TotalEnergies e Chevron salta 160% e atinge US$ 47 bilhões com

Lucro combinado de Exxon, Shell, BP, TotalEnergies e Chevron salta 160% e atinge US$ 47 bilhões com guerra no Irã

O choque de oferta provocado pela guerra no Irã elevou o lucro combinado das cinco maiores petrolíferas do mundo — ExxonMobil, Shell, BP, TotalEnergies e Chevron — a US$ 47 bilhões no trimestre, um salto de 160% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O conflito, que envolve um dos maiores produtores globais de petróleo, reconfigurou o fluxo de caixa do setor de energia e acendeu o radar dos investidores sobre os desdobramentos para as petroleiras listadas na B3.

O impacto do conflito iraniano sobre o barril de petróleo

O Irã figura entre os maiores produtores de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Com a escalada do conflito, o mercado global de energia passou a incorporar um prêmio de risco geopolítico significativo sobre o preço do barril, beneficiando diretamente as margens de refino e extração das grandes petrolíferas integradas.

O barril do Brent, referência internacional, opera em patamares elevados desde o início das hostilidades, e o efeito cascata já é sentido nos balanços trimestrais das companhias. As cinco gigantes — ExxonMobil, Shell, BP, TotalEnergies e Chevron — reportaram, juntas, US$ 47 bilhões em lucro líquido no trimestre, ante aproximadamente US$ 18 bilhões no mesmo intervalo do ano passado.

O cenário das petroleiras na B3: PETR4 e PRIO3

No Brasil, a Petrobras (PETR4) e a PRIO (PRIO3) são expostas ao mesmo ciclo de alta do petróleo. A PETR4 fechou o último pregão cotada a R$ 42,15, com variação positiva de 0,52% e volume financeiro de R$ 24,9 milhões. O papel acumula dividend yield de 9,29% nos últimos doze meses, com múltiplo P/L de 5,18 vezes e preço sobre valor patrimonial (P/B) de 1,22 vez.

A máxima de 52 semanas da PETR4 é de R$ 50,69, e a mínima, de R$ 29,31. O beta de cinco anos negativo em -0,22 indica baixa correlação com os movimentos gerais do Ibovespa, característica comum a ações de commodities em momentos de estresse geopolítico.

Já a PRIO3 fechou a R$ 59,29, com alta de 0,15% e volume de R$ 5,29 milhões. A empresa, que tem perfil exclusivamente de exploração e produção (E&P), também se beneficia diretamente da valorização do barril.

Juros altos no Brasil e o repasse de combustíveis

O ambiente macroeconômico brasileiro adiciona uma camada de complexidade ao cenário. A Selic meta está em 14% ao ano, e o IPCA acumulado em 12 meses é de 1,94% — indicadores que sugerem um Banco Central inclinado à manutenção de juros elevados para conter pressões inflacionárias.

Caso o preço do petróleo se mantenha em patamares elevados por período prolongado, eventuais repasses de combustíveis ao consumidor final podem ser moderados pelo aperto monetário em curso, que reduz a demanda agregada e o ímpeto de consumo.

Perspectivas para o setor de energia global

O lucro recorde das cinco gigantes reforça a tese de que o setor de óleo e gás vive um momento de caixa abundante, impulsionado por fatores geopolíticos fora do controle das companhias. A continuidade do conflito no Irã e as sanções associadas ao país devem manter o prêmio de risco sobre o barril, sustentando as margens das petrolíferas no curto e médio prazo.

Para o investidor, o momento exige atenção aos desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio e às decisões de produção da OPEP+, que podem reequilibrar a oferta global e moderar a trajetória dos lucros do setor.

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