Em meio à escalada da guerra de preços no setor farmacêutico brasileiro, o CEO da RD Saúde (RADL3) minimizou os impactos do fim do chamado “efeito Ozempic” sobre os resultados da companhia. A declaração foi recebida com otimismo pelo mercado: a ação operava a R$ 20,47 no pregão desta quarta-feira (5), registrando alta de 5,46% ante o fechamento anterior de R$ 19,41, com volume negociado de R$ 18,74 milhões.
O que está em jogo com o
O mercado farmacêutico brasileiro vive um momento de pressão competitiva acirrada em medicamentos de alto tíquete, como o Ozempic (semaglutida), utilizado no tratamento de diabetes tipo 2 e perda de peso. O temor de investidores é que a guerra de preços entre redes de farmácias e laboratórios erosione as margens desse segmento, que vinha impulsionando as receitas do setor.
A RD Saúde, uma das maiores redes de farmácias do país, está diretamente exposta a essa dinâmica. A declaração pública do CEO em meio a esse cenário — minimizando os riscos e sinalizando confiança na resiliência do negócio — foi interpretada como um sinal de que a companhia enxerga espaço para manter sua rentabilidade mesmo com a pressão sobre preços.
Desempenho da ação e métricas de mercado
A alta de 5,46% no pregão de 5 de agosto de 2026 levou RADL3 a R$ 20,47, ainda distante da máxima de 52 semanas de R$ 27,42, mas bem acima da mínima do período, de R$ 16,18. O movimento ocorreu com volume financeiro de R$ 18,74 milhões, indicando interesse relevante de compradores.
Entre os múltiplos da ação, o P/L (TTM) está em 25,92, enquanto o P/VP é de 4,88. O beta de 5 anos de 0,01 sugere baixíssima correlação com os movimentos do Ibovespa, característica típica de ações do setor defensivo de varejo farmacêutico. O dividend yield acumulado é de 2,38%.
Análise de valuation e perspectivas
Com um P/L de 25,92 vezes os lucros dos últimos 12 meses, a RD Saúde negocia a um múltiplo elevado em termos absolutos, mas que reflete as expectativas de crescimento embutidas no preço da ação. O P/VP de 4,88 indica que o mercado precifica o patrimônio líquido da companhia a quase cinco vezes seu valor contábil.
A visão otimista do CEO contrasta com o cenário de margens comprimidas que afeta o setor como um todo. Caberá aos próximos balanços trimestrais confirmar se a resiliência operacional será suficiente para sustentar o valuation atual e justificar a recuperação do papel em direção à máxima de 52 semanas.
Radar Finanças













