O governo federal anunciou nesta quinta-feira (24) a terceira fase do Plano Brasil Soberano, com a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito subsidiado para empresas brasileiras afetadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos nacionais. O anúncio ocorre no mesmo dia em que a medida norte-americana entrou em vigor.
O tarifaço atinge cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os EUA, o equivalente a US$ 5,8 bilhões. Os setores mais prejudicados incluem madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.
Estrutura do pacote
Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, R$ 13,5 bilhões serão aportados pelo Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões pelo BNDES. As taxas de financiamento variam conforme o porte da empresa e o setor: 3% ao ano para minerais críticos e 9,80% ao ano para capital de giro de grandes empresas.
O programa também contempla exportadores prejudicados por conflitos internacionais, como os registrados no Golfo Pérsico, ampliando o alcance da medida para além do tarifaço norte-americano.
Acumulado de R$ 69,5 bilhões em três etapas
O Plano Brasil Soberano foi criado em agosto de 2025 como resposta às tarifas impostas pelos EUA. Desde então, o governo já lançou três fases do programa:
- Brasil Soberano 1 (ago/2025): R$ 30 bilhões
- Brasil Soberano 2 (mar/2026): R$ 21 bilhões
- Brasil Soberano 3 (jul/2026): R$ 18,5 bilhões
O montante total acumulado nas três etapas chega a R$ 69,5 bilhões.
Estratégia diplomática prevalece
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, descartou retaliação imediata aos EUA e defendeu a via da reciprocidade comercial. A declaração sinaliza que o governo optou por medidas de estímulo interno ao crédito em vez de uma escalada tarifária com Washington.
“O governo optou por crédito subsidiado em vez de retaliação comercial, sinalizando prioridade à via diplomática”, conforme apurado junto à equipe econômica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória e sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7 para ampliar o programa, dando base legal à nova rodada de recursos.
Foto: Pexels (Licença Livre)















