Banco Mundial projeta crescimento global de apenas 1,3% em 2026 com escalada no Oriente Médio

O Banco Mundial divulgou projeção que aponta um cenário de desaceleração global severa caso o conflito no Oriente Médio escale nos próximos meses. De acordo com a instituição, o crescimento da economia mundial pode ser reduzido a 1,3% em 2026 — nível significativamente abaixo das tendências históricas e das projeções de referência atuais.

O alerta consta em relatório que mapeia os canais de transmissão de um choque geopolítico de grande escala sobre a atividade econômica global. A informação foi divulgada pelo G1 com base nos dados do organismo multilateral.

Canais de transmissão do choque geopolítico

O diagnóstico do Banco Mundial identifica três vetores principais pelos quais uma escalada no Oriente Médio contaminaria o crescimento global:

  1. Cadeias de suprimento: Rotas marítimas estratégicas na região — como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez — podem sofrer interrupções, elevando custos de frete e alongando prazos logísticos em escala mundial.
  2. Preços de commodities: A concentração da produção de petróleo na região expõe o mercado global a choques de oferta, com potencial de pressionar os preços da energia para cima.
  3. Fluxos de capital: O aumento da aversão ao risco tende a redirecionar investimentos para economias desenvolvidas, drenando liquidez de mercados emergentes.

Economias emergentes sob pressão

Países como o Brasil estão entre os mais vulneráveis a esse cenário. A combinação de petróleo mais caro, dólar fortalecido pela fuga para ativos seguros e menor apetite por risco tende a pressionar simultaneamente a inflação doméstica, as taxas de juros e a taxa de câmbio nessas economias.

O alerta ocorre em um momento em que a economia global ainda absorve os efeitos de choques sucessivos — pandemia de covid-19, guerra na Ucrânia e o ciclo de alta de juros nas economias centrais. Uma nova crise geopolítica de grande escala adicionaria pressões inflacionárias e restrições financeiras a um cenário já desafiador para formuladores de política econômica.

Fonte: G1, com informações do Banco Mundial.

Foto: Panoramio upload bot / Wikimedia Commons

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