Atualização — 31/07/2026 às 23:53 BRT: As centrais sindicais detalharam as propostas entregues ao governo para enfrentar o tarifaço dos EUA. O documento defende maior investimento público em infraestrutura social e produtiva — transporte, energia, habitação, saúde e educação —, além do combate à precarização do trabalho e da valorização da renda para fortalecer o consumo das famílias. As centrais também propõem o fortalecimento da organização sindical para assegurar a negociação coletiva nos setores impactados e expressam preocupação com a soberania produtiva e política do Brasil diante do agravamento da guerra comercial.
As seis principais centrais sindicais do país entregaram nesta sexta-feira (31) ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, um documento com propostas para mitigar os efeitos do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A pauta inclui incentivo à produção nacional, ampliação dos investimentos públicos, fortalecimento do BNDES e proteção dos empregos, em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países.
O que o documento propõe
O documento foi apresentado durante reunião em São Paulo e reúne propostas das centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST. Entre os pontos centrais, as entidades defendem que a manutenção das vagas de trabalho seja exigência para que empresas tenham acesso a programas de socorro governamental.
A pauta também prevê a busca por novos mercados para produtos brasileiros afetados pelas tarifas, estímulo à produção nacional por meio de compras públicas e adoção de política de conteúdo local. As centrais defendem ainda a revisão da Lei de Patentes, o fortalecimento do Mercosul, a criação de fundos de compensação e programas de transição para trabalhadores impactados.
- Manutenção de empregos como condição para acesso a programas de socorro
- Incentivo à produção nacional via compras públicas e conteúdo local
- Fortalecimento do BNDES e ampliação dos investimentos públicos
- Revisão da Lei de Patentes e fortalecimento do Mercosul
- Fundos de compensação e programas de transição para trabalhadores afetados
Apoio às medidas do governo
As centrais sindicais manifestaram apoio às medidas adotadas pelo Brasil em relação ao tarifaço americano, incluindo a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. O posicionamento das entidades sinaliza alinhamento entre a agenda sindical e a estratégia do governo federal no enfrentamento comercial.
O documento entregue ao ministro Márcio Elias Rosa ocorre em um momento de intensificação das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com impacto direto sobre setores industriais e cadeias produtivas nacionais.
Brasil aciona a OMC contra tarifas americanas
Na segunda-feira (27), o governo brasileiro encaminhou à Organização Mundial do Comércio (OMC) um documento classificando as tarifas dos EUA como inconsistentes com o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994. A medida integra um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da OMC.
O movimento brasileiro na OMC soma-se à Lei de Reciprocidade Econômica como parte da estratégia diplomática e jurídica do país para responder ao tarifaço de 25% imposto pelos americanos sobre produtos brasileiros, enquanto as centrais sindicais atuam no front doméstico para proteger o emprego e a produção nacional.
















