O turismo brasileiro atingiu um novo recorde de atividade, segundo levantamento da FecomercioSP. O resultado positivo, no entanto, ocorre em meio a um cenário macroeconômico adverso, marcado por juros elevados, inflação residual e aumento da inadimplência no crédito — fatores que pressionam o orçamento das famílias e a capacidade de investimento do setor.
A Selic meta anual está em 14,25% a.a., maior patamar do ciclo atual de aperto monetário. O IPCA acumulado em 12 meses é de 1,94%, com variação mensal de 0,16% no último dado disponível. O CDI mensal ficou em 0,95%.
Cenário Macroeconômico e Projeções
O Boletim Focus, que reúne as expectativas do mercado financeiro, projeta um cenário de aperto prolongado para 2026. A mediana das estimativas para o IPCA ao final do ano é de 5,12% a.a., acima do centro da meta. Para a Selic, a mediana é de 14,0% a.a., sinalizando manutenção dos juros em patamar elevado ao longo do ano.
O câmbio projetado pelo Focus para 2026 é de R$ 5,20/US$ (mediana), o que pode beneficiar o turismo receptivo — com estrangeiros tendo maior poder de compra no Brasil —, mas encarece viagens ao exterior para brasileiros. O mercado também projeta crescimento do PIB de 1,99% e taxa de desemprego mediana de 5,4% para o período.
Crédito e Inadimplência como Entraves
O crédito mais caro e o aumento da inadimplência são apontados pela FecomercioSP como fatores que limitam o consumo de serviços turísticos, setor fortemente dependente de financiamento e renda disponível. Com a Selic em 14,25% a.a., o custo do crédito ao consumidor se eleva, reduzindo a margem para gastos discricionários como viagens e lazer.
O paradoxo apontado pelo levantamento é que o crescimento do setor ocorre apesar do cenário macro adverso, e não por causa dele. A resiliência do consumo de viagens pode estar sendo sustentada por demanda reprimida acumulada no período pós-pandemia.
Desempenho de CVC Brasil (CVCB3)
No mercado de ações, a CVC Brasil (CVCB3), uma das principais empresas do setor de turismo listadas na B3, opera a R$ 1,36, com alta de 1,49% no pregão e volume financeiro de R$ 9,03 milhões. O papel reflete as expectativas do mercado para o setor em meio ao cenário macroeconômico desafiador.
📊 Raio-X Quantitativo & Indicadores de Risco
Métricas de volatilidade, valor e retorno acumulado do ativo:
| Selic Meta Anual | 14,25% a.a. |
| IPCA Acumulado 12m | 1,94% |
| IPCA Variação Mensal | 0,16% |
| CDI Mensal | 0,95% |
| Focus IPCA 2026 (Mediana) | 5,12% a.a. |
| Focus Selic 2026 (Mediana) | 14,0% a.a. |
| Focus Câmbio 2026 (Mediana) | R$ 5,20/US$ |
| Focus PIB 2026 (Mediana) | 1,99% |
| Focus Desemprego 2026 (Mediana) | 5,4% |
| CVC Brasil (CVCB3) — Cotação | R$ 1,36 |
| CVCB3 — Variação | +1,49% |
| CVCB3 — Volume | R$ 9,03 mi |















